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Substituição: sai o olheiro no futebol, entra a inteligência artificial

A evolução de plataformas de análise de dados vem revolucionando as partidas no Brasil e no mundo

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 27 Maio 2022, 16h49 - Publicado em 29 Maio 2022, 08h00

No início do mês, uma decisão do técnico Jürgen Klopp, do Liverpool, causou espanto entre os torcedores de seu time. De maneira inesperada, ele poupou nove atletas titulares em uma partida decisiva do Campeonato Inglês. Klopp fez isso para preservar o elenco para a final da Liga dos Campeões contra o Real Madrid, no próximo dia 28, em Paris. Técnicos costumam resguardar seus atletas para embates mais desafiadores. A novidade é que o comandante do Liverpool fez a escolha com a ajuda da tecnologia. Cada vez mais, os clubes dos principais centros futebolísticos do mundo usam recursos da inteligência artificial, softwares e algoritmos avançados para definir toda a estratégia do jogo — inclusive quem deverá entrar em campo ou não.

O time da terra dos Beatles é parceiro da Zone7, empresa de inteligência artificial nascida no Vale do Silício e que está encarregada de produzir relatórios sobre os riscos de lesões. Um algoritmo em constante evolução levanta dados como o número de partidas, carga de treinos, distâncias percorridas, qualidade do sono, entre outros, e cruza as informações com os registros de outros times para estabelecer padrões. O resultado foi a redução de mais de um terço de ocupação do departamento médico do clube. A Zone7 diz conseguir detectar até 70% das lesões prováveis com uma semana de antecedência e salienta que a baixa carga de atividades dos reservas pode ser tão prejudicial quanto o excesso. Não à toa, o Liverpool é referência em ciência do esporte. Seu estafe inclui neurocientistas que aprimoram a atenção do time em decisões por pênaltis e até um profissional especializado em cobranças de lateral.

arte futebol

A revolução do setor começou no início do século, quando a empresa italiana Wyscout lançou uma plataforma de análise de atletas e clubes, com imagens em vídeo e os mais variados tipos de relatórios. Desde então, a presença de analistas de desempenho se tornou obrigatória em qualquer equipe. Agora, atletas utilizam sistemas de GPS e têm, literalmente, todos os seus passos monitorados. Há quem beba inclusive de videogames. O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, diz gostar de jogar Football Manager, jogo que simula todo o gerenciamento de um clube.

A tecnologia, para além de arrumar os times nos gramados, é usada também para a captação de talentos. Esqueça, portanto, os velhos olheiros e espiões. Se um técnico quiser um lateral de 1,80 metro, entre 25 e 30 anos, com acerto de passes acima de 80%, basta um clique e uma lista de opções aparecerá na tela. Uma empresa franco-brasileira vem ganhando espaço no mercado. Trata-se da Mooh!Tech, que lançou recentemente a Chronus Sport, um aplicativo que produz relatórios com os mais variados atributos dos atletas. “Os algoritmos estão cada vez mais refinados”, diz Everton Cruz, CEO da Mooh!Tech. “Um atacante que finaliza bem, mas não ajuda na marcação, terá essa deficiência facilmente detectada.” Cada detalhe conta. “A aceitação é cada vez maior, especialmente por parte dos técnicos jovens”, diz Bruno Costa, professor de treinadores da CBF Academy. “Quem não usar a tecnologia ficará para trás.” Há um lado negativo: a imprevisibilidade do futebol, que o faz tão mágico, pode estar com os dias contados. Mas não há como fugir da ciência que faz a civilização avançar, em todos os setores. Parece vir da pré-história aquele tempo, no início dos anos 1950, em que Charles Reep, comandante aposentado da Força Aérea Real britânica, ganhou notoriedade ao frequentar estádios e anotar tudo o que via — e da estatística extrair modelos. Não se trata de dizer que um robô poderá ser um craque, mas longe não estamos.

Publicado em VEJA de 1 de junho de 2022, edição nº 2791

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