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Sport estraga festa e vence na estreia da casa palmeirense

Ananias, ex-Palmeiras, marcou o primeiro gol do Allianz Parque. Patric ampliou o placar – e deu início a uma reação raivosa dos torcedores após a inauguração

Por Luiz Felipe Castro, com fotos de Ivan Pacheco e Felipe Cotrim 19 nov 2014, 23h41

A torcida, que fez a sua parte durante os 90 minutos, pediu raça e deixou claro que não aceitará mais um rebaixamento no ano do centenário

Certamente não foi a festa que a torcida do Palmeiras esperava e merecia. Diante de 35.939 eufóricos torcedores, o time paulista foi derrotado por 2 a 0 pelo Sport na inauguração de sua nova arena. Assim como ocorreu na despedida do antigo Palestra Itália – derrota pelo mesmo placar em amistoso contra o Boca Juniors em 2010 – a equipe alviverde estragou aquela que tinha para ser uma das mais belas festas de sua história centenária. Coube ao ex-palmeirense Ananias, do Sport, marcar o primeiro gol do Allianz Parque, arena erguida sobre o velho Palestra, a casa palmeirense desde 1917. O lateral Patric ainda selou a vitória pernambucana com um belo gol nos minutos finais. Para piorar, o tropeço histórico deixa o Palmeiras em situação complicadíssima na competição. Com 39 pontos, o time segue na 14ª posição e está cada vez mais ameaçado de seu terceiro rebaixamento à Série B. Com um elenco muito distante da grandeza da festa – e, sobretudo, de suas tradições -, o Palmeiras não só não conseguiu brigar por títulos em 2014 como falhou na partida mais esperada por seus torcedores. Agora, a esperança da exigente torcida palmeirense é que a estreia do novo lar inaugure também um novo período de glórias e conquistas a partir de 2015 – de preferência, bem longe da Série B.

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O cenário para uma celebração épica estava montado: o antiquado Palestra, que tinha praticamente todo os lugares descobertos e uma pitoresca vista para as piscinas do clube social, deu lugar a uma moderníssima arena. Na chegada à nova casa, vários torcedores se vangloriavam de possuir uma das melhores arenas da América do Sul. Como não há muito espaço no entorno do estádio, localizado entre avenidas e residências, muitos torcedores decidiram entrar no palco do espetáculo logo que os portões abriram, pouco depois das 19 horas. Antes de a bola rolar, depoimentos de ídolos como Ademir da Guia e Evair e imagens das grandes vitórias do clube emocionaram o público presente. Já com o estádio cheio, a torcida não parou de cantar um minuto sequer até a apoteótica entrada da equipe. O clima de euforia, porém, não durou muito tempo e foi sepultado com o gol de Ananias, aos 31 da segunda etapa. O time deixou o campo muito vaiado, com atenção especial para o volante Wesley. A torcida, que fez a sua parte durante os 90 minutos, pediu raça e deixou claro que não aceitará mais um rebaixamento no ano do centenário. Na próxima rodada, o Palmeiras terá mais um jogo de vida ou morte: enfrenta o Coritiba, no Couto Pereira. Na sequência, o time pega o Inter, em Porto Alegre, e o Atlético-PR, novamente na Arena Palmeiras.

O jogo – A equipe mandante chegou ao dia de gala com uma formação ainda mais limitada em função da ausência de seu craque e capitão Jorge Valdivia. O meia chileno sentiu dores no quadril em um treino de sua seleção e foi vetado pelo departamento médico. Ele assistiu à partida no camarote pessoal de sua família, localizado bem na altura do centro do gramado. Sem Valdivia, coube a Wesley e ao criticado Felipe Menezes a função de armar a equipe. Marcelo Oliveira foi o primeiro a arriscar, aos 11 minutos, mas seu chute saiu sem perigo. Embalado pela ensurdecedora torcida, amplificada pela acústica do novo estádio, o Palmeiras era melhor: aos 19 minutos, Wesley, que jogou mais adiantado que de costume, apareceu na entrada da área e chutou por cima. Felipe Menezes teve a chance mais clara aos 23 minutos. O meia recebeu ótima cruzamento de Juninho, mas cabeceou para fora a chance de eternizar seu nome na história do clube. A partir daí, o Sport conseguiu controlar o jogo e até assustar o Palmeiras, que se salvou graças a intervenções precisas do goleiro Fernando Prass. Outro ex-jogador do Palmeiras, o meia Diego Souza distribuiu alguns dribles e criou as melhores jogadas dos pernambucanos. Diante da inoperância alviverde, a exigente torcida palmeirense começou a se impacientar.

A situação do Palmeiras ficou ainda mais complicada na segunda etapa. Precisando da vitória e querendo dar uma satisfação a torcida, os jogadores pareciam cada vez mais nervosos em campo. Logo nos dois primeiros minutos, Danilo e Rodrigo Mancha tiveram boas chances, mas Prass salvou o time da casa. Aos poucos, o Palmeiras conseguiu controlar os nervos e voltou a arriscar, em chute de Wesley e cabeçada de Henrique que saíram sem força. Aos 12 minutos, o argentino Allione entrou no lugar do vaiado Felipe Menezes. A medida que o jogo ia se aproximando do fim, a reação das arquibancadas começou a mudar. Aos 21 minutos, o time recebeu uma impressionante vaia após dois ataques perigosos do Sport. O calvário palmeirense chegou ao auge aos 31 minutos, quando Danilo avançou pela esquerda e cruzou; Felipe Azevedo desviou e a bola sobrou para Ananias, que bateu forte de direita, sem defesa para Prass. O estádio ficou em estado de choque, antes de explodir de fúria no momento da saída de Wesley para a entrada de Mazinho. Com uma das equipes mais fracas de sua história, o Palmeiras não conseguiu reagir nos minutos finais. Ainda houve tempo para o lateral Patric invadir a área pela direita, driblar a zaga e marcar um golaço de pé esquerdo. O Palmeiras deixou o campo sob impiedosos protestos e gritos de “vergonha” e “se cair para a Série B, se prepara para apanhar”.

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