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Sochi-2014: a festa de US$ 50 bi esconde falhas grotescas

Jogos perfeitos para mostrar a força de Putin? Faltou combinar com os russos: ao redor do Parque Olímpico, montanhas de entulho e problemas embaraçosos

O aspecto inacabado dos arredores de Sochi tem irritado até mesmo os moradores da região, que também se esmeram na busca por defeitos ou problemas na cidade

Existem coisas que um orçamento vultuoso de 50 bilhões de dólares deveria evitar. A poucas horas do início oficial dos Jogos de Inverno de 2014, existe um enorme descompasso entre os locais de competição, todos grandiosos e com acabamento impecável, e os arredores do Parque Olímpico. Por essa razão, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem lidado com situações no mínimo embaraçosas – cenário bem diferente dos Jogos de Londres, dois anos atrás. A começar pelas acomodações, muitas delas construídas especificamente para a realização dos Jogos. Nem os voluntários foram poupados – seus travesseiros acabaram sendo realocados para os quartos dos atletas na Vila Olímpica por um erro de cálculo dos organizadores. Graças às redes sociais, outros problemas, esses bem mais graves, têm vindo à tona: falta d’água, cortinas que despencam da parede, maçanetas que não foram presas corretamente, problemas no aquecimento e por aí vai. Internet intermitente? Isso não é nada perto de encontrar sua cama com vestígio de sêmen no lençol ou com um cachorro vira-lata em cima.

A propósito, é possível encontrar muitos cães desacompanhados pelas ruas do Parque Olímpico. Tentando solucionar o problema, a organização dos Jogos de Sochi acabou criando outro ainda maior. Segundo entidades locais de defesa dos direitos dos animais, cerca de 300 cães têm sido sacrificados mensalmente na cidade-sede da Olimpíada de Inverno. Nos abrigos e canis mais próximos, não há mais vagas. A notícia repercutiu negativamente no exterior e obrigou as autoridades olímpicas a se pronunciarem. “Seria absolutamente errado dizer que qualquer cachorro saudável será sacrificado”, disse o porta-voz do COI, Mark Adams, constantemente sabatinado por falhas dos organizadores.

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O aspecto inacabado dos arredores de Sochi tem irritado até mesmo os moradores da região, que também se esmeram na busca por defeitos ou problemas na cidade. Parte do entulho provocado pelas obras ainda em curso na região foi escondido por tapumes, mas ainda é possível perceber a existência desses restos desde o trem que dá acesso ao Parque Olímpico. Isso prejudica diretamente a proposta de sustentabilidade e de “desperdício zero” dos organizadores. Dentro das arenas, aliás, não há a nem sequer a separação do lixo reciclável do orgânico – só as folhas de impressão têm destino diferente do resto.

Com falhas tão grotescas, é de se espantar que áreas prioritárias na organização da Olimpíada de Sochi funcionem sem sobressaltos. A segurança dos Jogos, prioridade máxima para os russos, ainda não foi questionada. É bem verdade que o movimento em direção aos locais de competição tem sido baixo às vésperas do início das competições principais. Os trens da linha férrea que liga o centro de Sochi ao Parque Olímpico têm deixado as estações praticamente vazios. Apesar dos dias de pouca agitação, o policiamento já era ostensivo desde o início da semana. Uma dupla de policiais percorre os vagões a cada embarque e desembarque. O cinturão de ferro construído em torno dos Jogos de Sochi torna improvável qualquer ataque dentro das áreas de competição, o que explica a enorme preocupação com alvos menos visados, como os meios de transporte ou bares na região central da cidade.