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Só Suárez explica

Suárez veio mostrar novamente ao mundo de que é feito o futebol: de paixão

Quando Luis Suárez evitou com a mão um gol de Gana no último minuto da prorrogação pelas oitavas de final da Copa de 2010, trocando a eliminação certa por uma expulsão e um pênalti que acabou perdido pelo adversário (o que levou a partida à decisão por penais, vencida pelo Uruguai), muita gente o criticou por trapacear. O excepcional atacante, então no Ajax da Holanda, foi chamado de desonesto para baixo. Tais detratores pareciam não compreender que o futebol tem valores próprios, distintos dos nossos, cotidianos. É inesquecível a vibração de Suárez quando Gyan errou a cobrança. Havia um sopro de esperança, ele acreditou e seu Uruguai estava novamente vivo. Dane-se o cartão vermelho que levou. A Celeste estava novamente em uma semifinal de Mundial depois de quarenta anos! Seu sorriso naquele momento e após a partida resumiu a imensa alegria de todos os uruguaios. Querem convencê-lo de que seu ato não foi correto?

O craque dentuço virou mito em seu país.

Ontem, num Itaquerão majoritariamente azul, Suárez veio mostrar novamente ao planeta do que é feito o futebol (e justo em sua principal festa, a Copa do Mundo): de paixão. Não há hoje um jogador que combine técnica e garra em doses tão cavalares. Nessa soma, Suárez vence Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Ibrahimovic. Os dois gols na vitória uruguaia por 2 a 1 diante da Inglaterra, pela segunda rodada do Grupo D, refletem suas qualidades: uma cabeçada precisa e indefensável, um chute fortíssimo que qualquer goleiro que se atrevesse a interceptar correria o risco de perder a mão.

Bola da VEJA: como VEJA mostra a Copa do Mundo

Suárez jogou ontem como se tivesse decidido que ganharia a partida a qualquer preço. Ainda mais depois de ter visto do banco seu time perder feio na estreia para a Costa Rica (3 a 1), impedido de jogar por sentir resquícios de uma lesão no joelho sofrida há menos de um mês, que o levou à mesa de cirurgia. Assim foi. Suárez enfiou no jeito e na marra duas bolas nas redes de Hart. Mesmo com todos os limites de seu time – inferior ao de quatro anos atrás, porque envelhecido -, não era o momento de dizer adeus a uma Copa do Mundo no país vizinho, o Brasil de tanta amizade, o mesmo Brasil de tanta rivalidade desde a maior façanha esportiva da Celeste Olímpica: o título da Copa de 1950 no Maracanã. O Uruguai renasceu.

Alguns sul-americanos estão provando nesta Copa que a matéria-prima do futebol é o amor, a vontade de jogar, de fazer um monte de gente feliz. Tem sido assim com mexicanos, colombianos, chilenos e, agora, uruguaios. Argentinos e brasileiros, oxalá, aumentem esse caldo. Esta Copa do Mundo tem um temperinho de Libertadores (a parte boa dela). Basta ver como Suárez comemorou seus gols e a vitória após o apito final. Seu sorriso, sua vibração com a torcida. É disso que o futebol é feito.

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