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Skate pede adiamento da eleição da Comissão de Atletas do COB para 2021

Confederação pediu, sem sucesso, que o pleito seguisse o novo calendário olímpico e fosse adiado para 2021, sem prejudicar modalidades estreantes

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 30 jul 2020, 11h22 - Publicado em 29 jul 2020, 16h38

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou na semana passada a abertura do processo de candidatura para a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (Cacob). Os atletas e ex-atletas olímpicos interessados em uma das 25 vagas para o ciclo dos Jogos de Paris-2024 tem até o dia 3 de agosto para se inscrever no pleito, programado para ocorrer entre 24 e 28 de agosto.

A medida não agradou a Confederação Brasileira de Skate (CBSk), que nesta quarta-feira 29, citou o adiamento da Olímpiada de Tóquio-2020 devido à pandemia de coronavírus para pedir, em carta enviada ao Cacob, a remarcação do pleito para 2021. A manutenção da eleição para este ano impede a candidatura dos atletas das cinco modalidades estreantes (skate, surfe, beisebol, karatê e escalada), pois um dos requisitos é de que os interessados tenham participado de ao menos uma edição de Olimpíada.

“Historicamente, esse pleito ocorre sempre durante as Olimpíadas de Verão, e seus eleitos seguem no cargo até o próximo ciclo olímpico. Porém, com o adiamento dos Jogos de Tóquio por conta da Covid-19, as eleições da Comissão de Atletas por parte do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Paralímpico Internacional também foram adiadas para o ano que vem. Acreditamos que assim também deveria ser feito pela Comissão que representa os atletas brasileiros, inclusive com o intuito de atender aos preceitos da Carta Olímpica”, afirma a CBSk.

  • Procurado por VEJA, o COB informou que “o processo eleitoral da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil para o próximo ciclo olímpico foi deliberado e definido pela própria Comissão. O COB respeita e defende a autonomia da Comissão de Atletas para tomar suas próprias decisões, assim como pela definição da manutenção da eleição em 2020”. A entidade informou ainda que “reforça o seu compromisso em dar voz aos atletas e abrir espaço para o diálogo com todos os envolvidos no Movimento Olímpico”.

    Nesta quinta-feira, 30, a Comissão dos Atletas divulgou uma nota na qual disse compreender a reclamação do confederação de skate e que tentou incluí-los no pleito, sem sucesso, pois haveria necessidade de mudança estatutária. Por isso, a eleição foi mantida.

    “Com o adiamento dos Jogos em virtude da pandemia, precisávamos fazer uma escolha. Após longa e sadia discussão entre os membros da Comissão, entendemos que nosso ciclo de quatro anos deveria se encerrar e novos membros ocuparem nosso posto. Cientes que esta decisão acarretaria na impossibilidade de participação dos atletas das novas modalidades Olímpicas como votantes e/ou candidatos, buscamos contemplá-los de várias formas porém sem êxito em virtude da necessidade de mudança estatutária”, diz trecho do comunicado.

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    “Assim, uma vez que somente atletas olímpicos, assim definidos aqueles que participaram de Jogos Olímpicos, podem votar e serem votados, os atletas das novas modalidades terão de aguardar para participarem quando ocorrer a próxima eleição, pois ainda não preenchem o requisito estatutário. Vale lembrar que o estatuto do COB está de acordo com a Carta Olímpica quanto a esta definição da atleta olímpico.
    Por fim, reforçamos que estamos abertos para recebermos contribuições dos colegas que ainda não componham o nosso grupo mas desejem somar”, completou a Comissão.

    Para se candidatar, é preciso ter participado de uma Olimpíada; ter, no mínimo, 18 anos; não estar cumprindo penalidades aplicadas por entidades esportivas e nem estar suspenso por doping. O COB estabelece um recorte para garantir equilíbrio no número de mulheres e homens e também um limite máximo de dois atletas por modalidade.

    Criada em abril de 2009, a Comissão de Atletas representa os direitos e interesses dos esportistas e tem a missão de estabelecer um ambiente de debate e sugestões, além de incentivar a presença feminina no esporte e manter contato constante com outras comissões nacionais e internacionais.

    No último pleito da Comissão, foram eleitos: Arthur Zanetti (ginástica artística), Baby Futuro (rugby), Brunno Mendonça (hóquei sobre grama), Duda Amorim (handebol), Emanuel Rego (vôlei de praia), Emerson Duarte (tiro esportivo), Fabiana Murer (atletismo), Fabiano Peçanha (atletismo), Hugo Hoyama (tênis de mesa), Iziane Marques (basquete), Marcelinho Machado (basquete), Poliana Okimoto (maratonas aquáticas), Tiago Camilo (judô), Thiago Pereira (natação) e Yane Marques (pentatlo moderno). O COB selecionou ainda outras quatro integrantes: Fabi Alvim (vôlei), Hortência Marcari (basquete), Isabel Clark (snowboard) e Isabel Swan (vela).

    A polêmica em torno do adiamento da Olimpíada também reflete na eleição para a presidência do COB, que está mantida para novembro. A tendência é que, pela primeira vez em 41 anos, não haverá um candidato único. Alberto Murray, que é ex-membro de Conselho de Ética da entidade e neto de Sylvio de Magalhães Padilha, ex-presidente do COB entre 1963 e 1991, já faz campanha e deve ter como concorrente o atual mandatário, Paulo Wanderley, que não confirma a candidatura oficialmente. 

    Outra importante mudança na política esportiva nacional ocorreu no último dia 17. O ex-jogador da seleção brasileira de handebol, Bruno Souza, foi nomeado para comandar a Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento do governo federal. Ele substitui o ex-jogador de vôlei de praia, Emanuel Rego, que foi exonerado.

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