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Semenya vence prova em Doha em possível despedida

A partir de agora, bicampeã olímpica precisará passar por controle hormonal para continuar competindo entre mulheres

Por Da Redação - Atualizado em 6 set 2019, 14h00 - Publicado em 3 maio 2019, 18h15

A sul-africana Caster Semenya venceu nesta sexta-feira, 3, a prova dos 800 metros da etapa de Doha, no Catar, que abre a temporada de 2019 da Diamond League. Esta pode ter sido a despedida da atleta bicampeã olímpica da prova, por causa de uma decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) divulgada na última quarta-feira.

O tribunal acatou o pedido da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo, na sigla em inglês) de que mulheres com níveis elevados de testosterona não poderão mais participar das disputas de 400 a 1.500 metros a partir da próxima quarta.

Nesta sexta, a atleta de de 28 anos cruzou a linha de chegada em 1min54s98, com vantagem tranquila sobre as concorrentes. A segunda colocada, Francine Niyonsaba (Burundi), completou em 1min57s75 e a americana Ajee Wilson foi a terceira com 1min58s83.

Para essas provas de meia distância, a IAAF estabeleceu um limite de 5 nanomols de testosterona por litro de sangue. Mas Semenya, por uma condição endócrina chamada hiperandrogenismo, produz naturalmente o hormônio em excesso. Ela deverá tomar medicamentos para reduzir os seus níveis de testosterona se quiser continuar competindo entre as mulheres.

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“Não usarei nenhuma tipo de medicamento. Mas não deixarei o atletismo. É mais do que um esporte, é sobre a dignidade humana, orgulho humano. A corrida foi fantástica e eu fiz o que tinha que fazer, estou muito feliz, acho que estou neste mundo por uma razão”, completou.

A marca obtida por Semenya em Doha, nesta sexta, foi melhor do que a registrada por ela em seus triunfos nos Jogos Olímpicos do Rio (1min55s28), em 2016, e no Mundial de 2017 (1min55s16), em Londres.

Longa polêmica – Semenya ganhou destaque em 2009 ao conquistar o título mundial dos 800 m rasos, em Berlim. A melhora incrível de seus resultados levantou suspeitas de doping e dúvidas sobre seu gênero. A sul-africana foi submetida a controversos e invasivos testes para provar que é mulher, dando início a uma disputa ética e judicial com a federação de atletismo.

Descobriu-se que Semenya tem uma disfunção chamada hiperandrogenismo, distúrbio endócrino que a faz produzir mais testosterona que o normal nas mulheres. A IAAF chegou a proibi-la de competir, mas após diversos exames (que nunca tiveram os resultados divulgados) foi liberada para competir normalmente, até a recente decisão do CAS.

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(Com Estadão Conteúdo)

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