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Sem saída, Valcke agora diz confiar em promessas do país

No Maracanã, secretário-geral da Fifa se mostra resignado com prazo apertado

“A prioridade de vocês é ver o Brasil vencer a Copa, mas a da Fifa é que ela seja organizada de forma irretocável”, disse Valcke no Rio

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, trocou a irritação pela resignação. Depois de entrar em atrito com dirigentes e representantes do governo brasileiro em diversas ocasiões – a mais célebre delas no episódio do “chute no traseiro” -, o francês se conformou com o fato de que não será possível manter no Brasil o mesmo nível de exigência de outras sedes de Copa do Mundo. A principal preocupação é com os prazos previstos para a entrega dos doze estádios do Mundial. A Fifa já sabe que não receberá as arenas prontas com antecedência, como desejava. Como não há mais o que fazer, restou à entidade confiar nas garantias dos brasileiros – e torcer para que tudo seja entregue conforme vem sendo prometido.

Na segunda-feira, Valcke foi ao Maracanã, palco das finais da Copa de 2014 e da Copa das Confederações de 2013. Ele não escondeu a preocupação com o fato de o Rio não ter mais margem de erro para concluir as obras. “Mas não há outra opção. Não imagino uma competição no Brasil sem o Maracanã”, afirmou. Com 80% das obras prontas, o palco da final do Mundial em 2014 só ficará pronto às vésperas da Copa das Confederações. “Tive reuniões com Eduardo Paes e com Sérgio Cabral (prefeito e governador do Rio de Janeiro, respectivamente). O Ricardo Trade (diretor executivo do Comitê Organizador Local) também confirmou que tudo estará pronto”, disse o francês. Valcke se disse convencido de que as obras finalmente entraram na reta final, mas avisou que o Rio não pode desperdiçar “um dia sequer” para que o calendário seja cumprido.

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Prioridades – Na manhã de segunda, ao participar da abertura do seminário Soccerex, no Rio, o secretário-geral da Fifa afirmou que o Brasil ainda tem “muitos desafios pela frente” até a Copa do Mundo, mas se disse tranquilo em relação à Copa das Confederações, considerado o ensaio geral para 2014. “Alguns estádios estão mais ou menos dentro do cronograma previsto e outros devem ter suas obras concluídas até o fim de abril. Teremos muito pouco tempo para testar as estruturas. Mesmo assim, temos certeza de que tudo vai dar certo para a Copa das Confederações. É uma competição menor, com menos gente viajando e procurando hospedagem”, explicou. “A prioridade de vocês é ver o Brasil vencer a Copa, mas a da Fifa é que ela seja organizada de forma irretocável. Temos de trabalhar duro para garantir de que os torcedores sejam bem recebidos.”

Sobre a relação com os brasileiros, o francês foi bem-humorado: “Não estamos mais brigando porque não adianta nada. Não é um casamento, a Fifa e o COL não têm como se divorciar. O mais importante é trabalhar em conjunto para tentar solucionar os problemas”. Nesta terça-feira, Jérôme Valcke visita outra obra que custou a deslanchar: a reforma da Arena da Baixada, em Curitiba. Na quarta, é a vez do Itaquerão, em São Paulo. Depois das visitas, Valcke terá uma reunião com o presidente da CBF e do COL, José Maria Marin, para discutir o andamento dos trabalhos. Na quinta, ele participa do anúncio dos finalistas da Bola de Ouro da Fifa, e no sábado, comanda o sorteio dos grupos da Copa das Confederações, no Anhembi, também em São Paulo.

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(Com agências Gazeta Press, EFE e France-Presse)