Sem revanchismo, Júlio César brilha, quatro anos depois

Por Da Redação - 28 jun 2014, 20h46

Na noite em que o Brasil foi eliminado da Copa de 2010, ao ser derrotado pela Holanda, em Port Elizabeth, África do Sul, o goleiro Júlio César, que era visto por muitos como o melhor atleta do mundo em sua posição, puxou a fila dos jogadores que passaram pela zona mista de entrevistas para falar sobre a derrota. Com os olhos inchados e avermelhados, ele explicou pacientemente sua participação nos lances que sentenciaram a despedida brasileira do Mundial. Passados quatro anos, o goleiro, que hoje defende o modestíssimo Toronto FC, da liga dos EUA, também chorou no primeiro jogo eliminatório da seleção desde aquele doloroso revés. A emoção foi despertada pelas palavras de incentivo e confiança dos demais jogadores do Brasil momentos antes da decisão por pênaltis contra o Chile, neste sábado, no Mineirão. Júlio, que já havia feito uma defesa extraordinária no segundo tempo, numa bomba à queima-roupa de Aránguiz, retribuiu o suporte dos companheiros defendendo duas cobranças dos chilenos e colocando o Brasil nas quartas de final, mesma fase em que a seleção se despediu da Copa passada.

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“Por causa do caminho que a gente pegou, numa chave cheia de seleções fortes e respeitadas, vai ser assim até o final. Só espero que as próximas decisões não sejam nos pênaltis, porque nossos torcedores e nossos familiares sofrem demais”, disse Júlio pouco depois de receber o troféu de melhor jogador em campo neste sábado. Ele também falou sobre as lágrimas antes da série de cobranças e garantiu que a emoção foi deixada de lado na hora de ficar frente a frente com os batedores chilenos. “Nunca escondi que sou um cara muito emotivo. Naquela hora, vários jogadores chegaram para mim dizendo coisas bacanas e eu não consegui me segurar. Mas quando começaram as penalidades eu foquei bastante e tive� a tranquilidade necessária para defender.” O goleiro evitou tratar a atuação deste sábado como uma resposta aos críticos – disse apenas que veio à Copa preparado para as cobranças e pressões. �”Houve muito questionamento sobre a minha convocação, então eu me preparei psicologicamente muito bem. Além disso, meus companheiros de seleção vêm fazendo coisas incríveis para mim, dando uma força enorme.”

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Mesmo reconhecendo a pressão, Júlio César se diz encorajado pelas demonstrações da torcida. “É incrível o quanto as pessoas estão torcendo por mim, o quanto querem que eu ganhe uma Copa. Acho que imaginam que sair de um Mundial sendo visto como vilão é muito complicado. Mas nada é por acaso.” Antes de enfrentar a Colômbia, na sexta, em Fortaleza, Júlio César, um dos quatro capitães do técnico Luiz Felipe Scolari, reconheceu que a classificação não deve ser motivo de euforia, longe disso. Sei que não conquistamos nada, mas esta partida me dá uma força maior ainda.” Felipão, que assistia à entrevista, puxou aplausos ao atleta quando ele deixou a sala. Assim como o goleiro, o treinador não encarou o desempenho de Júlio contra o Chile como uma resposta às críticas e dúvidas sobre sua escolha como titular. “Não tenho resposta nenhuma a dar, e nem o Júlio. Ele tem que pensar só em jogar, pois tem a confiança do técnico e dos companheiros.” O momento decisivo da batalha de Belo Horizonte deixou isso bem claro.

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(Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte)

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