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Seleção aproveita a fragilidade da China e massacra: 8 a 0

Foi uma chance perfeita para espantar a tensão e ganhar moral: diante de uma equipe perdida em campo, Neymar, Lucas, Hulk e Oscar garantem fácil goleada

Por Davi Correia, do Recife - 10 set 2012, 23h54

O Brasil encerrou a partida numa situação curiosa: apesar do massacre e do alívio, todos sabem que o resultado desta segunda não significa muita coisa

Para quem precisava aliviar a pressão, ganhar pontos com o público e pegar confiança para os próximos confrontos, não poderia existir um cenário melhor: um amistoso fácil, contra uma equipe muito fraca, numa cidade que costuma dar muito apoio à seleção brasileira. E a equipe de Mano Menezes aproveitou a ocasião para ganhar fôlego em seus preparativos para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Com uma tranquila goleada por 8 a 0 sobre a China, 78ª colocada no ranking da Fifa, na noite desta sexta-feira, no Estádio do Arruda, no Recife, a seleção amenizou a má impressão deixada na partida contra a África do Sul, na última sexta, em São Paulo, e pegou embalo para a disputa do Superclássico das Américas, o torneio amistoso de dois jogos contra a Argentina, em 19 de setembro e 3 de outubro, só com jogadores em atividade no Brasil. De quebra, ajudou a reabilitar algumas das principais apostas de Mano, como Oscar, Hulk e Ramires, que fizeram bom papel – e também a dissipar a desconfiança em torno de Neymar, que marcou três vezes, fez boas jogadas e ganhou o apoio da torcida depois de ser vaiado no Morumbi.

O estádio recebeu pouco menos de 30.000 torcedores (55.000 entradas foram colocadas à venda). Sabendo da importância da partida – não pelo resultado, mas pela necessidade de ganhar crédito com o público brasileiro -, os jogadores ouviram o hino nacional abraçados, em uma tentativa de mostrar a união do grupo. Mas não foi preciso ter muito espírito de luta para superar a seleção chinesa, equipe que desde o início pareceu estar perdida no gramado. A seleção começou o jogo menos afobada e mais solta do que no amistoso de sexta. Conseguiu uma boa oportunidade de abrir o placar logo aos 5 minutos. Hulk recebeu lançamento na área e acionou Oscar, que virou o corpo e cruzou, achando Neymar na cara do gol. O craque do time perdeu uma chance incrível, cabeceando para fora. Apesar de dominar o jogo, porém, a seleção não conseguia muitas jogadas claras de gol – o goleiro chinês só foi testado aos 17, num chute de longa distância de Hulk. Aos 20, Lucas também arriscou de fora da área e exigiu boa defesa do goleiro.

Três minutos depois, contudo, o camisa 1 chinês falhou numa jogada decisiva: Ramires arrancou com a bola pela meia esquerda, tabelou com Oscar e deu um toque sutil ao invadir a área, numa saída ruim do arqueiro, marcando 1 a 0. Mais solta, a seleção precisou de apenas mais três minutos para ampliar, com uma ótima jogada de Hulk e Oscar pela direita. O camisa 10 da seleção rolou para Neymar, sozinho, com o gol vazio – e ele não errou desta vez. Com a folga no placar, o apoio da torcida e a fragilidade do adversário, os talentos individuais do Brasil, como Neymar, Lucas e Oscar, finalmente começaram a aparecer, com boas tabelas e lançamentos. Aos 32 minutos, Neymar entortou um defensor pela esquerda e cruzou para Oscar, sozinho, de frente para a meta chinesa, sem ninguém pela frente – e ele conseguiu carimbar o travessão. Mostrando que ainda precisa amadurecer antes da Copa do Mundo de 2014, Neymar achou que já era hora de dar espetáculo: fez tabelinhas laterais com Hulk, tentou um malabarismo na grande área e, aos 42 minutos, desperdiçou mais uma oportunidade clara ao receber lançamento perfeito e ser desarmado ao tentar exagerar nas fintas na cara do gol.

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Mesmo assim, a seleção encerrou o primeiro tempo ouvindo aplausos – não tão exaltados como de costume nos jogos no Recife, mas muito bem vindos depois do amistoso tenso de sexta-feira. E a festa continuou na segunda etapa, com mais um gol brasileiro logo aos 3 minutos. Hulk acionou Lucas na esquerda e o meia-atacante do São Paulo bateu bem, rasteiro, no canto, fazendo 3 a 0 para a seleção. Aos 6 minutos, Hulk ampliou o placar. Na primeira tentativa, Neymar bateu de longe, por cobertura, acertando o travessão; o novo reforço do Zenit, da Rússia, aproveitou o rebote e anotou o seu. Hulk, que substituiu Leandro Damião no time titular, certamente ganhou pontos com Mano Menezes em função da partida desta segunda. Neymar fez 5 a 0 aos 9 minutos, aproveitando um cruzamento de Marcelo e dando ao técnico da seleção seu placar mais amplo desde que assumiu o cargo, há dois anos. Neymar marcou de novo aos 15 minutos, de novo recebendo sozinho na pequena área, em passe de Oscar. Com o jogo mais do que resolvido, Arouca, do Santos, ganhou uma chance no lugar de Ramires.

Depois do sexto gol, o Brasil diminuiu o ritmo e tratou de trabalhar a bola com calma – com ocasionais exageros nas firulas, mas com aprovação da torcida, que chegou a gritar “olé” durante as trocas de passes da seleção. Num vacilo da defesa, houve até uma chance para Diego Alves, que briga para se consolidar como titular do gol, mostrar seu talento, com uma excelente defesa. Mas foi apenas uma jogada ocasional – a seleção chinesa era tão inferior que sofreu o sétimo gol num desvio do zagueiro Liu contra sua própria meta, aos 24 minutos. Com três gols marcados, Neymar deu lugar a Jonas. Daniel Alves foi substituído por Adriano, e o capitão David Luiz foi trocado por Rever. Em pênalti sofrido por Marcelo, Oscar teve a chance de fazer o seu, aos 29 minutos: 8 a 0. Nos últimos minutos, o camisa 10 foi substituído por Damião. O Brasil encerrou a partida numa situação curiosa: apesar do massacre e do alívio, todos sabem que o resultado desta segunda não significa muito, já que a China mostrou ser um adversário de fragilidade assustadora.

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