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Secretário da Bahia defende ‘churrasco de gato’ durante Mundial

Por Da Redação 29 ago 2011, 14h18

Há um ano, a Fonte Nova sofria a demolição total com a esperança de uma nova cara baseada na modernidade – previsão de gastos superior a R$ 780 milhões para o Mundial de 2014. Mas o Secretário para Assuntos da Copa do Mundo na Bahia, Ney Campello, avisa que o Brasil não pode esquecer as suas raízes e as tradições de seu povo. Mesmo com toda a tecnologia dos novos palcos esportivos, ele defende até a liberação, nas proximidades dos futuros estádios, das barracas que vendem alimentos.

‘É preciso melhorar e qualificar essas pessoas do ponto de vista do manuseio, da higiene, do preparo dos alimentos, tudo isso é correto, dar melhor qualidade’, comenta o representante baiano, que citou até o termo ‘churrasco de gato’ durante a entrevista, obviamente em tom de brincadeira.

Em entrevista exclusiva à GE.Net durante participação no Sports Business, na capital paulista, Ney Campello falou sobre os detalhes dos projetos baianos para o Mundial. Orgulhoso, ele avisa que a Fonte Nova estará pronta sem sustos para a Copa das Confederações de 2013. Aliás, o futuro palco já foi oferecido para a utilização dos clubes baianos – o Bahia já fechou o acordo, enquanto o Vitória analisa a proposta.

Por fim, Ney Campello ressalta que o estádio será uma importante fonte de negócios para Salvador. ‘Poderemos ver shows da Ivete, do Paul McCartney, da Lady Gaga, de qualquer um, nós vamos inserir Salvador no circuito internacional do show business’, exalta o secretário.

Veja a entrevista:

GE.NET – Como está o planejamento da nova Fonte Nova?

Ney Campello: Eu considero que nosso projeto vai muito bem, começamos exatamente pela Fonte Nova, um projeto consistente, dentro do calendário previsto pela Fifa. Estamos entre as duas ou três cidades que estimam entregar a obra para a Copa das Confederações de 2013. Isso nos dá uma tranquilidade grande, já que sem estádio não tem Copa.

GE.NET – Mas obviamente há outros tipos de preocupação em Salvador.

Ney Campello: A gente atua em outras frentes, a mobilidade urbana, o governo anunciou uma solução metroviária, uma ação que pensa na cidade pelos próximos 50 anos. Atualmente, Salvador tem uma situação desconfortável, com apenas seis quilômetros de metrô sem funcionar, para uma cidade que vai chegar a 34 quilômetros, 28 quilômetros até a Copa. Na hotelaria, estamos confortáveis, temos a terceira oferta entre as cidades brasileiras, atrás apenas de São Paulo e Rio. Vamos chegar a 70 mil vagas em 2014. No aeroporto, nós já recebemos o Carnaval todo ano, com 400 ou 500 mil pessoas, mas temos a previsão de melhorar com investimentos de R$ 45 milhões para modernizar o terminal, não com expansão, porque a Copa tem a previsão de trazer cerca de 70 mil visitantes.

Também nos dedicamos a duas coisas que são pouco faladas, a qualificação de quem vai receber a Copa e os legados sócio-econômico e ambiental. É fazer com que a gente encontre mecanismos de incorporação na sociedade. Nós pensamos desde o acesso dos operários da construção da Fonte Nova nos jogos, através de subsídios, até a assinatura de um convênio para que regressos dos sistemas prisionais possam atuar nas obras. Ainda pensamos na acessibilidade de pessoas com deficiência, a proteção das crianças em relação ao turismo sexual, o aproveitamento dos idosos que dominam três ou quatro idiomas, e até a qualificação de ex-atletas para recepcionarem as delegações de estrangeiros.

GE.NET – Nesse projeto de trazer ex-atletas para a sede da Bahia vocês já têm nomes em vista?

Ney Campello: Através da Agape (Associação da Garantia ao Atleta Profissional), a gente pensa em promover uma qualificação. Nós queremos nomes como o Bobô, que atua como superintendente da Sudesb, e figuras como Vampeta, Júnior Baiano, atrair o Bebeto, aqueles baianos que tiveram passagem pela seleção. É o aspecto do legado que valorizamos.

GE.NET – Novamente exclusivamente sobre a Fonte Nova, existe um projeto definido para depois da Copa? O Bahia e o Vitória já se interessaram pelo estádio?

Ney Campello: Eu conversei por telefone com o Alex Portela, presidente do Esporte Clube Vitória, time que faço parte como conselheiro. O Vitória está em situação de apreciação e negociação por ter seu estádio próprio. Só vai jogar se for atrativo. Como conselheiro, tenho a opinião de que é interessante jogar em um estádio moderno, seguro, atrai o torcedor, traz famílias de volta e gera receita. A Fonte Nova será uma arena pública, não será de ninguém, é importante que o Vitória vá. O Bahia já assinou o memorando de entendimentos, já está certo. Até porque o clube não tem uma arena, não falo nem como uma crítica ácida ou gozação. O Bahia vai atuar lá em 33 jogos, considerando todas as competições nacionais.

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GE.NET – Entre as novidades tecnológicas da nova Fonte Nova, há grande expectativa pela iluminação do estádio, como foi citado em sua palestra no Sport Business.

Ney Campello: O projeto já concebe uma iluminação próxima do que é a Allianz Arena (na Alemanha), sem o mesmo nível de sofisticação. Mas ficará com as cores vermelho e preto quando o Vitória atuar, e azul, vermelho e branco quando o Bahia jogar. E ainda podem ser usadas outras cores, até mesmo quando a seleção brasileira entrar em campo.

GE.Net – Nós sabemos que a música baiana é muito forte no cenário nacional. Esse estádio será usado para vários tipos de shows?

Ney Campello: A arena será operada pela Amsterdã Arena, uma das maiores empresas do mundo que faz operações em estádio. Poderemos ver shows da Ivete, do Paul McCartney, da Lady Gaga, de qualquer um, nós vamos inserir Salvador no circuito internacional do show business. Nós não temos bons espaços para isso por enquanto. Próximo à Fonte Nova, também temos a proposta de construir uma casa indoor para 10 ou 12 mil pessoas, para shows menores. Então, a Fonte Nova não será só um estádio de futebol, será um centro de negócios, entretenimento e lazer.

GE.NET: Então a Bahia não tem nenhum tipo de receio de ficar com um ‘elefante branco’ nas mãos?

Ney Campello: Nós estamos longe da África, então não temos elefantes. Então não queremos nenhum elefante, a não ser no zoológico (risos). Mas não é o nosso propósito, queremos um estádio sustentável, por isso é uma operação de parceria público-privado. Se o privado não tiver bom resultado, terá o ônus. Nós achamos que vai dar certo e vai gerar um efeito cascata de revitalização de centro histórico de Salvador, onde está localizado o estádio.

GE.NET: Recentemente tivemos um estudo que colocou o Maracanã e o futuro estádio do Corinthians com os maiores potenciais de arrecadação em ‘naming rights’. Como a Fonte Nova vê essa possibilidade de patrocínio?

Ney Campello: É um assunto muito embrionário. Primeiro porque a nossa população ainda chama o estádio de Fonte Nova e vai chamar com esse nome a vida inteira. O patrocínio não deve ser descartado, mas precisa ver como concilia um investimento desse porte dentro de uma cultura de lembrança do nome Fonte Nova. O nome do estádio ‘Otávio Mangabeira’, que é ex-governador da Bahia será mantido. Mas admite você pensar, por exemplo, em um nome como Arena Fonte Nova Petrobras, Arena Fonte Nova qualquer outra coisa.

GE.NET: Pelo que entendi, a empresa que quiser colocar a sua marca terá de aceitar a presença o nome Fonte Nova, certo?

Ney Campello: Se tirar esse nome, a reação popular será forte, até porque ali são três fontes históricas, tombadas, que também serão recuperadas. Você não pode destruir a cultura. Claro que você pode aliar com a modernidade, mas sem ferir a nossa identidade cultural. Para o baiano e para mim, que vou ao estádio desde os quatro anos de idade, é Fonte Nova, inclusive com as presenças do vendedor de churrasquinho de gato e rolete de cana. São elementos de um patrimônio que precisa ser respeitado.

GE.NET: O senhor sabe que em São Paulo, por exemplo, essas barraquinhas são combatidas.

Ney Campello: Eu acho isso um absurdo, é preciso melhorar e qualificar essas pessoas do ponto de vista do manuseio, da higiene, do preparo dos alimentos, tudo isso é correto, dar melhor qualidade. Mas acho um crime excluir. Quer dizer que a Copa é apenas para os empreiteiros, para os grandes investidores? Não é para o cidadão? Nós lançamos na Bahia o selo ‘Isso é legado’ e, dentro disso, há um projeto ‘Território Candial-2014’, que é você colocar a população surfando na onda da Copa, essas pessoas precisam ser principalmente parte dos resultados.

GE.NET: Mas o senhor acredita nessas barraquinhas durante a Copa do Mundo?

Ney Campello: Eu estive na África do Sul e me venderam a falsa ideia de que esses vendedores só poderiam estar a mais de 1,5 km de distância do estádio. Não é verdade, eu estive em Joanesburgo e existiam barracas comercializando alimentos a 200 ou 300 metros dos estádios, em uma ação com a chancela da Fifa. Eu tenho foto almoçando nessas barracas. Eu acho que não podemos excluir aqueles que fizeram parte da história só porque há uma ideia de que a modernidade substitui tudo. Isso é uma visão anacrônica, uma visão pouco moderna, atrasada.

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