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Santos confirma fim das Sereias devido à valorização do time masculino

Por Da Redação - 3 jan 2012, 13h48

Melhor time de futebol feminino no Brasil nos últimos anos, o Santos não terá mais uma equipe nessa modalidade. A informação foi confirmada pelo presidente do clube, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira, na Vila Belmiro. A atacante Érika, que era uma das jogadoras das Sereias da Vila, também esteve presente ao evento.

Questionado sobre o assunto logo no início da coletiva, o mandatário explicou as razões pelas quais resolveu encerrar as atividades do Peixe no futebol feminino, uma das marcas registradas do clube, em paralelo ao time principal masculino.

‘O Santos iniciou-se na atividade há quase quatro anos, em razão da Libertadores (feminina). Contava-se com patrocínio, a Marta, a melhor do mundo, e isso atraiu a atenção da grande mídia. Acabamos campeões e assumimos com a intenção de manter e ampliar o projeto. Cogitamos ir aos Estados Unidos, mas foi inviável – fora os custos econômicos e as dificuldades com patrocinadores. Focamos no Brasil e tivemos um sucesso extraordinário’, disse Luis Álvaro, antes de enumerar as razões para o fim das atividades das Sereias.

De acordo com o presidente, o aumento nos gastos com a equipe principal inviabilizou a continuação da modalidade no Alvinegro Praiano. ‘Elas são atletas dedicadíssimas, que gostam muito do que fazem. O Brasil precisa do futebol feminino, afinal somos a pátria do futebol. Mas uma andorinha só não faz verão. E chegou o momento no qual houve um choque com a manutenção do Neymar, premiado melhor jogador das Américas, e do nosso time de futebol profissional. Isso tudo tem um custo, nossa equipe encareceu demais. Daí chega um momento em que fica insuportável a pressão e é preciso tomar uma decisão difícil no lado emocional, que é reduzir custos’, revelou.

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O presidente santista ainda reclamou da falta de apoio a esse esporte no país. Segundo Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, tanto o governo quanto a CBF não dão respaldo suficiente para o futebol feminino. O dirigente acredita também que o pouco espaço da modalidade na mídia atrapalha acordos comerciais para auxiliar o sustento do futebol feminino.

‘Em uma reunião que tive no começo do ano passado, com a Marta e a presidente Dilma (Rousseff), colocamos as dificuldades que se apresentavam para um clube manter seus esportes olímpicos. Nós não queríamos dinheiro do governo, mas precisávamos que eles fizessem um apelo para incluir na mídia o futebol feminino. A presidente se sensibilizou com o nosso pedido, só que o assunto não andou, infelizmente. Quem sabe um choque desses não sirva para que tenhamos uma resposta positiva das autoridades, tendo em vista que a CBF, ao que consta, não tem muito interesse nessa modalidade’, comentou.

Já Érika, que está deixando o Brasil para atuar no futebol coreano, se emocionou ao falar sobre o final da trajetória das Sereias da Vila. A atacante, que também defende a Seleção Brasileira, espera que o clube possa retomar o projeto com o futebol feminino no futuro.

Além disso, a jogadora se emocionou, não conseguindo conter as suas lágrimas durante a entrevista, e se mostrando preocupada com o destino de algumas de suas colegas, que devem ficar desempregadas sem o apoio do Santos.

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‘Desculpem a minha emoção, mas não tem como ser ‘durona’ nessa hora. Eu e algumas meninas devem ter a chance de jogar fora do país, mas algumas vão ficar sem emprego. É algo muito triste, que me preocupa. Espero que alguém possa ver esse drama que estamos vivendo e possa nos ajudar. O Santos sempre foi pioneiro e, quem sabe em 2013, nós não teremos as Sereias de volta. É um problema que foge das minhas mãos, porém, o nosso sonho não pode acabar’, destacou Érika.

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