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Rússia, sem medalha no hóquei no gelo, paixão nacional

Time da casa foi batido pela Finlândia nas quartas-de-final - para decepção do presidente Vladimir Putin e de todo o país, que parou para assistir à partida

Por Alexandre Salvador - 19 fev 2014, 13h46

É a terceira edição seguida dos Jogos que os russos ficaram de fora do pódio olímpico. A última conquista dourada, aliás, foi quando o país ainda competia como um Time Unificado, nos Jogos de 1992

Nem tudo vai bem na terra da fantasia de Vladimir Putin, e não se trata aqui da crescente onda de protestos nos arredores da sede dos Jogos de Inverno (que, na terça, teve a aparição do grupo Pussy Riot). O assunto é esporte – e, apesar de ter liderança do quadro total de medalhas (eram 22 até a tarde desta quarta-feira), os russos sofreram uma dura queda ao serem eliminados, pela manhã (no horário de Brasília), do torneio masculino do hóquei no gelo. A derrota para a Finlândia, 3 a 1, nas quartas-de-final da competição, significa que a Rússia não disputará nem sequer a medalha de bronze. Para as pretensões do país-sede, cujo esporte nacional é justamente o hóquei, foi uma derrota muito precoce. Para o próprio presidente Putin, o grande maestro dessa edição dos Jogos, o triunfo no hóquei ajudaria a garantir a sensação interna de que a Olimpíada é um sucesso.

Para se ter uma ideia de como essa modalidade tem a capacidade de parar o país, basta dizer que o jogo parou o Parque Olímpico. Em quase todos os locais de prova dentro do parque de Sochi há TVs que exibem as imagens de suas respectivas arenas. No palácio de patinação Iceberg, a TV está sintonizada nas câmeras da patinação. Na arena Cubo de Gelo, casa do curling, são exibidas imagens do esporte da vassourinha, certo? Quase. Se estivermos no horário de uma partida de hóquei, é bem capaz que essa regra seja deixada de lado. Além disso, centenas de pessoas que visitam o Parque Olímpico desistiram de perambular pelas arenas ou pelas lojas de artigos oficiais para acompanhar a partida contra a Finlândia em três enormes telões instalados na Praça das Medalhas, a área mais central do parque.

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Todos falam da garota-prodígio da patinação Julia Lipnitskaia, ou dos outros medalhistas de ouro da Rússia nos Jogos de Sochi (foram seis ao todo). Mas o atleta escolhido para estampar a principal campanha publicitária de uma famosa marca de refrigerantes foi um jogador de hóquei: Alexander Ovechkin. Seu rosto, ou melhor, seu inconfundível sorriso incompleto, é o que mais se vê pelas ruas da cidade. Em outdoors, cartazes e geladeiras. Ele é uma das estrelas da equipe que jogam na liga profissional americana de hóquei, a NHL. Mas o protagonismo que se esperava de Ovechkin e seus companheiros foi, ao poucos, se desconstruindo. Primeiro veio a dura derrota para os americanos, ainda na fase classificatória, em uma partida repleta de polêmicas. Depois, uma atuação apagada na primeira partida eliminatória, contra a Eslováquia: a vitória só veio nos tiros alternados, depois de um 0 a 0 no tempo regulamentar.

É a terceira edição seguida dos Jogos que os russos ficaram de fora do pódio olímpico. A última conquista dourada, aliás, foi quando o país ainda competia como um Time Unificado, nos Jogos de 1992, em Albertville, na França, logo após a queda do regime socialista no país. Putin terá que contar, mais do que nunca, com os saltos e rotações incríveis da jovem Julia Lipnitskaia para tirar um pouco do gosto amargo da boca após esse vexame dentro de casa.

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