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Rumo à Estação Corinthians

No metrô, casais abraçados vestiam a camisa da Seleção, mas era fácil perceber seu status social nas grifes dos óculos escuros e nos jeans de marcas caras

Apertei o botão do elevador do meu prédio, e pronto: eu estava chegando à Copa do Mundo. Quatro anos atrás, para fazer isso, atravessei o Atlântico Sul. Em outros Mundiais, foram necessárias mais de doze horas de voo – ou o dobro, no caso da Coreia do Sul e Japão. Agora, ao descer do elevador, só precisei andar 150 metros até a estação República do metrô e embarcar na linha vermelha. Em 40 minutos, eu já estava em Itaquera, a uma pequena caminhada da Arena Corinthians.

Bola da VEJA: como VEJA vai mostrar a Copa do Mundo

Para quem se habituou a ver no transporte público apenas o povo oprimido nas filas, nas vilas e favelas cantado no Sampa de Caetano Veloso, a viagem foi um choque. Não vi ninguém no meu vagão com cara, jeito ou roupa de pobre. Ou de torcedor que frequenta estádio (engraçado como tanta gente aplaudiria lances na hora errada, talvez por falta de prática em assistir futebol ao vivo). Casais abraçados vestiam a camisa amarela da Seleção Brasileira, mas era fácil perceber seu status social nas grifes dos óculos escuros, nos relógios (embora discretos, pois não convém abusar da sorte) e nos jeans de marcas caras que a maioria usava. Ou sentir o perfume daquelas jovens e senhoras com destino, talvez pela primeira e única vez na vida, à Zona Leste de São Paulo.

Não só pelos espectadores em condição de pagar o alto preço dos ingressos, o jogo entre Brasil e Croácia parecia ter como cenário qualquer outra Copa do Mundo: o maravilhoso estádio, a segurança, o centro de imprensa, as salas de entrevista, os vestiários, os telões, os camarotes, as cadeiras, o gramado. Eu me senti um pouco em Berlim, um pouco em Yokohama. Com a diferença de que em nenhum outro lugar do mundo mais de 50 000 pessoas cantariam o nosso hino à capela e xingariam em coro a presidente da República.

Foi só apertar o botão do elevador.

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