Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Rúgbi ganha espaço em palco improvável: a escola pública

Ela ainda é considerada uma modalidade de elite; em SP, porém, será levada a crianças dos CEUs - uma tentativa de popularizar um futuro esporte olímpico

“Existe uma questão histórica que transforma o rúgbi em um esporte de imagem elitista, mas a realidade já mudou”, garante o idealizador do projeto, Eduardo Pacheco

Criado na Grã-Bretanha, o rúgbi é um dos esportes mais tradicionais entre os europeus. Em países com colonização britânica, como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, é o jogo mais popular. Pesquisas recentes revelam que ele está entre as três modalidades mais praticadas em todo o planeta. Mas, apesar de tanta popularidade no exterior, o rúgbi ainda tem um grande mercado a conquistar: o Brasil, onde ele é visto como um esporte de elite, praticado apenas por atletas de maior poder aquisitivo. Ajuda a reforçar essa imagem o fato de que alguns dos melhores times do país são formados para disputar torneios de faculdades particulares. Muitos jogadores, inclusive os que defendem a seleção brasileira, pagam para jogar. Em entrevista ao site de VEJA, Sebá, cantor da banda Inimigos da HP e praticante do esporte, resumiu a situação: “Aqui, o rúgbi sempre foi para pouca gente. Sempre tive de pagar as viagens e os uniformes da seleção. Estava lá por amor. Só jogava quem podia.” Um projeto desenvolvido em São Paulo, porém, pretende dar o pontapé inicial para mudar esse quadro, levando a modalidade justamente a quem menos esperava praticá-la – ao invés dos estudantes de instituições privadas, os alunos da rede pública de ensino.

Leia também:

Leia também: Rúgbi: aos trancos, em busca de um caminho no Brasil

O projeto é uma parceria da ONG Hurra! com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O objetivo é apresentar a modalidade aos alunos, dando início a um processo de popularização do esporte. “Existe uma questão histórica que transforma o rúgbi em um esporte de imagem elitista, mas a realidade já mudou”, garante Eduardo Pacheco, presidente da Hurra!, confiante no sucesso da empreitada. Neste domingo, o projeto receberá 500 alunos (com idade entre 10 e 16 anos) e 50 professores de 23 Centros Educacionais Unificados (CEUs), na Arena Paulista, na Zona Leste. É o segundo ano consecutivo que a Hurra! promove aulas para difundir o rúgbi. Em 2011, 14.000 alunos e 14 CEUs participaram do projeto. O intuito, porém, não é o de fazer do rúgbi um concorrente de modalidades como futebol, vôlei e basquete no país. “Ele precisa ser um esporte que ajude a educar”, diz Pacheco. Seja qual for a estratégia para difundir o rúgbi entre os brasileiros, o investimento na modalidade acontece em um momento importante. O rúgbi de sete está entre as modalidades que farão sua estreia nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Como país sede, o Brasil tem vaga garantida. O tempo é curto demais para formar novos talentos até 2016 através do projeto nas escolas. Levar o esporte a um novo público, porém, certamente ajudará a aumentar o interesse pela modalidade.