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Rúgbi: 1º capitão negro da África do Sul pode fazer história no Mundial

O flanker Siya Kolisi poderá gravar seu nome entre os grandes do país que viveu por quase 50 anos no regime de segregação racial, o apartheid

Por Da Redação - Atualizado em 30 out 2019, 23h47 - Publicado em 30 out 2019, 18h52

A África do Sul pode chegar ao terceiro título Copa do Mundo de rúgbi no próximo sábado, às 5h45 (horário de Brasília), diante da Inglaterra, no Japão. Mesmo se a conquista não vier, a campanha dos Springboks, como é conhecido o time sul-africano, já é histórica. Afinal, pela primeira vez na história, a seleção é capitaneada em um Mundial por um jogador negro: o flanker (ou asa, como se traduz o nome de sua posição) Siya Kolisi, de 28 anos.

Quem assistiu ao filme Invictus, estrelado por Matt Damon e Morgan Freeman, dirigido por Clint Eastwood, sabe da importância do esporte nos primeiros anos após o fim do regime de segregação racial que vigorou no país por quase meio século (de 1948 a 1994). Embora o rúgbi seja hoje um sucesso na África do Sul, por muitos anos foi dos principais símbolos do racismo legalizado. Afinal, até o fim do apartheid, apenas jogadores brancos podiam integrar a seleção.

Por essa razão, a população negra do país sempre preferiu torcer para os adversários dos Springboks. O cenário começou a mudar em 1995, ano em que Nelson Mandela assumiu a presidência do país, mesma época em que o time da África do Sul levantou a primeira taça da Copa do Mundo. A conquista se tornou um símbolo de união quando Mandela e François Pieenar, então capitão da equipe, se cumprimentaram na cerimônia de entrega do troféu.

O capitão Kolisi nasceu na cidade de Zwide, a quase 730 quilômetros da Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul. O flanker foi criado pela avó, que era faxineira. Em seus primeiros testes, Kolisi jogava de cueca boxer, pois não tinha condições de comprar um uniforme apropriado. Ele treinava em campos de terra, onde foi descoberto por um olheiro de uma escola, que lhe concedeu bolsa integral de estudos. Siya evoluiu e chegou à seleção nacional, onde se consolidou e disputará seu 50º jogo no próximo sábado, o 20º como capitão.

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Mesmo com o fim do apartheid, porém, as oportunidades a jogadores negros na seleção sul-africana eram escassas até esse ano. Os Springboks venceram a Inglaterra em 2007, em casa, e se tornaram bicampeões mundiais, mas só contavam com um jogador negro no elenco, o ponta Chester Williams, morto no mês passado. Nesta edição da Copa do Mundo, seis negros representam o país, incluindo o capitão Kolisi. John Smit, capitão sul-africano no Mundial de 2007, garantiu, em entrevista à emissora britânica BBC, que Siya superará a cena icônica de Mandela e Pieenar em 95.

“Foi icônico quando François levantou a Copa do Mundo com Mandela. Foi incrível poder fazer isso sozinho com Thabo (Mbeki, sucessor de mandela na presidência da África do Sul). Mas se Siya tocar nesse troféu no sábado… será um momento muito maior que 1995. Isso mudaria a trajetória do nosso país”, disse Smit.

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Para conquistar o tricampeonato mundial e marcar época na África do Sul, Siya e seus companheiros precisarão superar a forte – e favorita – seleção inglesa, que ainda não perdeu na competição. Os ingleses eliminaram a Nova Zelândia na semifinal – o único time que venceu os sul-africanos nesta edição da Copa do Mundo. A final do torneio começará às 05h45 (de Brasília) e será transmitida no Brasil pelo canal ESPN.

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