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Rooney, o meio-craque

É um jogador global. Mas não consegue ser o que prometia no início da carreira

Por Maurício Barros - 16 jun 2014, 08h05

“Classificá-lo assim não é querer diminuir seu talento, mas tratar de não aumentá-lo”

Os anos 80 foram pródigos em meios-craques. Por definição rigorosamente científica, o meio-craque é aquele jogador muito bom, estiloso, capaz de jogadas sensacionais, ídolo local, mas que, por algum motivo, seja pela personalidade tímida, seja por falta de ambição, ou por azar mesmo, não vai para a seleção, não deslancha para além das fronteiras, não entra para a história no panteão dos imortais. Lembro-me do Mendonça do Botafogo, do Pita do São Paulo, do Ailton Lira do Santos, do Elói do Bangu (!), do Zenon do Corinthians, do Edu Marangon da Lusa, do Luis Fernando Flores do Inter, do Edu Manga do Palmeiras, do Deley do Fluminense, do Dicá da Ponte Preta.

Todos camisas 10 clássicos, jogavam o fino. Faltava, entretanto, aquele “algo mais”. Deram azar por ter contemporâneos geniais como Rivellino, Sócrates, Zico, Falcão, Cerezo? Sim, talvez com a concorrência de hoje fossem maiores, mas o fato é que seu brilho teve um limite.

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Depois do que vi na Arena Amazônia, no ótimo Itália 2 x 1 Inglaterra, vejo-me tentado a adaptar o conceito a Wayne Rooney. Menino-prodígio do Everton, o Manchester United pagou quase 26 milhões de libras para contratá-lo em 2004. Fez parte de todas as seleções de base da Inglaterra, debutou na principal ainda com espinhas adolescentes no rosto. Foi celebrado por Arsène Wenger e Alex Ferguson como um fenômeno. Claro que alcançou muito mais projeção do que aqueles brasileiros que citei, pois está na Inglaterra e nasceu em outra época.

É um jogador global. Mas não consegue ser o que prometia no início da carreira: um craque do tamanho de Robson, Keegan e Gerrard, só para ficar nos seus conterrâneos, ou de Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, estendendo a comparação a seus contemporâneos. Falta bater no peito, dizer “eu sou o cara” e resolver na seleção jogos como esse contra a Itália.

Aos 28 anos, duas Copas nas costas, eu e todos os súditos da rainha esperavámos de Rooney outra postura na partida de Manaus. Não que tenha jogado mal, longe disso. Jogou bem. O passe para o gol de Sturridge foi belo. Mas é pouco para o nome que tem. Rooney sumiu em vários momentos. Seus chutes sempre tão precisos e venenosos estavam descalibrados. Bateu um escanteio bisonho, em que a bola nem sequer entrou em campo. Rooney coleciona títulos importantes no Manchester United, é ótimo jogador. Mas é um meio-craque. Classificá-lo assim não é querer diminuir seu talento, mas tratar de não aumentá-lo.

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