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Robinho, uma grande figura – no álbum da Copa

Atacante é o único brasileiro que ganhou figurinha mas estará fora do Mundial

Por Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro 7 Maio 2014, 15h37

“Quero pedir que os 23 sejam muito bem recebidos, mesmo que haja discordância. Todos juntos vamos fazer o melhor para conquistar o mundial no Brasil” Felipão

Uma das maiores febres do país nas últimas semanas tem, agora, um erro grave. “Tirei três figurinhas do Robinho, Felipão! O que eu faço com isso agora?”, questionava um jornalista, com o álbum da Copa em mãos, ao fim da entrevista coletiva sobre a convocação da seleção brasileira para o Mundial deste ano. O atacante é o único presente no livro que não foi chamado – mais um erro para a coleção das edições. O técnico, que cumprimentava alguns conhecidos à beira do palco de uma casa de shows no Rio de Janeiro, deu as costas ao grupo e se retirou. Ele se recusa a falar sobre quem não foi chamado. “Quem não está convocado, é por algum motivo. Pode haver divergências entre um ou outro nome, mas a decisão final é do treinador”, disse, mais de uma vez, durante o evento com ares de megaprodução que contou com a presença de mais de 800 jornalistas de todo o mundo.

Mas até sobre quem chamou, Felipão é reticente. Só fala bem se não sentir que sua escolha pode estar sendo questionada – ou pior, criticada. Um jornalista quis saber sobre a única surpresa da lista. “Por que Henrique?”, perguntou ele, vendo imediatamente a feição do treinador se fechar. A resposta foi no estilo curta e grossa: “Porque confio e gosto do futebol dele”. Risos e um pequeno burburinho quebraram o silêncio constrangedor que se seguiu. “Próxima pergunta”, pediu o técnico, já procurando com os olhos em meio à multidão. Depois, reconheceu que esta decisão foi a mais difícil e a que causou a maior discussão entre toda a equipe técnica. E lembrou, novamente, que quem manda é ele.

Antes de ler cada um dos nomes escolhidos, a postura do técnico era mais amigável. Prevendo algumas desavenças, ele decidiu começar falando diretamente com a torcida brasileira: “Quero pedir que os 23 sejam muito bem recebidos, mesmo que haja discordância. Todos juntos vamos fazer o melhor para conquistar o mundial no Brasil”. A popularidade de cada jogador podia ser medida pelo som dos cliques das câmeras dos fotógrafos que se acotovelavam em busca do melhor ângulo do palco. Para o controverso Henrique, poucos. Para o veterano Júlio César, médio. No último anúncio, de Neymar, um barulho quase maior do que o do alto falante que reverberava a voz do microfone.

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Felipão estava tranquilo, e respondeu de forma gentil à maior parte das questões feitas por quase uma hora. Não tinha, nem de perto, a mesma pressão de 2002, quando ousou ao deixar Romário de fora da escalação. “Na noite anterior àquele anúncio, eu estava tenso, sabia que não seria bem recebido. Fui até dormir em outro hotel, sem ninguém saber”, confidenciou aos jornalistas nesta quarta quando, ele mesmo concorda, o trabalho foi muito mais tranquilo. “Até saí para uma caminhada.” A confiança de que nada de muito controverso seria anunciado fez com que o presidente da CBF, José Maria Marin, dispensasse o treinador de lhe mostrar a lista previamente. “Confio nele”, resumiu Marin.

O dia foi de poucas novidades, e ninguém apostava em uma grande ousadia de treinador dessa vez. “Felipão gosta dessa coisa de transformar o time em família. Por isso mantém o mesmo grupo”, comentava um torcedor do lado de fora. Ele fazia parte de um grupo reduzido, que demonstrava confiança em Felipão. “Tenho fé na seleção”, dizia o cartaz de um, enquanto outro andava abraçado a uma réplica da taça como se não quisesse deixá-la escapar. Dentro da casa de shows, cada jornalista tentava registrar a seu modo a presença no evento. Chegou-se a formar quase uma fila em frente ao palco, onde cada um tentava buscar um ângulo que mostrasse o palco e seu melhor sorriso. Uma correspondente francesa quis saber de Felipão por que a convocação ganhou ares de mega evento. “Pela grandeza do nosso futebol”, respondeu, dessa vez sorridente.

Protesto – Na saída da coletiva, não havia ares de festa. Cerca de 40 policiais federais se concentraram em frente à casa de shows, usando mordaças vermelhas e carregando faixas e cartazes com a inscrição: SOS Polícia Federal. O elefante branco, símbolo do movimento que reivindica a reestruturação de carreira e salário, também fazia parte do protesto. O presidente do Sindicato dos Agentes, André Luiz Vaz de Melo, afirma que a categoria vai cruzar os braços durante a Copa do Mundo. “Isso vai afetar, por exemplo, os aeroportos, que é a porteira de entrada dos turistas que virão pra cá. As portas estarão praticamente escancaradas”, disse. O problema na segurança ainda pode ser maior no Rio, já que a Polícia Civil espera, até o próximo dia 15, uma resposta do governo do Estado para o aumento salarial.

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