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Robert Scheidt desiste de aposentadoria e vai tentar vaga em Tóquio-2020

Iatista conquistou duas medalhas de ouro na classe Laser, para a qual retorna, aos 45 anos

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 5 fev 2019, 12h27 - Publicado em 5 fev 2019, 12h23

O velejador Robert Scheidt decidiu buscar mais uma vez a vaga olímpica. A intenção do atleta de 45 anos é disputar os Jogos de Tóquio, em 2020, na classe Laser, que exige que o competidor esteja muito bem fisicamente. Até por isso, ele já vem fazendo um trabalho de fortalecimento e garante estar em forma para chegar à sua sétima Olimpíada consecutiva.

“Comecei a criar esse pensamento em setembro, quando comecei a treinar com outros estrangeiros. Velejei em alto nível, meu corpo reagiu bem. Venho aos poucos retomando os treinamentos e fazendo a preparação física específica. Ao invés de treinar três horas e meia, será um pouco menos, mas com mais qualidade. Terei de lidar com dores, inevitavelmente, mas sei que o mental puxa muito o físico”, explicou. “Espero surpreender positivamente.”

Dono de cinco medalhas olímpicas, Scheidt começou sua trajetória em Atlanta, em 1996, quando conquistou o ouro na classe Laser. Quatro anos depois, foi prata nos Jogos de Sydney, na Austrália, e conquistou novamente o lugar mais alto do pódio em 2004, em Atenas, todas na mesma embarcação. Na edição seguinte, em Pequim-2008, foi prata na classe Star e depois, em Londres-2012, ganhou o bronze. Sua pior colocação na história foi o quarto lugar nos Jogos do Rio-2016, já de volta à Laser.

“Eu ainda me divirto muito velejando e acredito que posso ser competitivo. Isso é fundamental para esse projeto. Não vai ser fácil, teremos alguns altos e baixos, mas acho que tenho chances de brigar pela vaga e tentar disputar mais uma Olimpíada. Não tenho nenhuma lesão que me impeça de competir. O importante é aprender qual o tipo de dor está sentindo”, afirmou.

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O velejador brasileiro é considerado uma lenda viva da vela e espera conseguir corresponder às expectativas. Um fator que ajudou a pesar em sua decisão foi a sua participação na Copa Brasil de Vela, no final do ano passado, em Florianópolis, quando ficou com a medalha de prata (perdeu no desempate para Bruno Fontes), superando atletas até 20 anos mais jovens em seu retorno à classe Laser.

“Idade não é impeditivo, tenho que usar a experiência que adquiri em todos esses anos. Claro que a preparação terá de ser diferente, terei de ser inteligente”, comentou o velejador, que terá sua primeira missão no Troféu Princesa Sofia, em Palma de Mallorca, na Espanha, em março. Depois tentará disputar o evento em Hyère, na França, e também o Mundial da classe Laser no Japão, em julho, que é seletivo para a Olimpíada.

“Para esse primeiro evento em Palma de Mallorca não terei apoio da Confederação Brasileira de Vela ou do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Tenho patrocínio do Banco do Brasil e da Rolex que me ajudam. Claro que se for bem, fatalmente o pessoal do COB vai me chamar para uma conversa. Espero que isso aconteça. Sei que será uma competição extremamente difícil, com mais de 200 barcos”, disse.

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