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River de Gallardo altera ‘paternidade’ do clássico e se vinga de Tevez

Em 2004, ídolo do Boca enfureceu rivais com provocação na semifinal da Libertadores. No fim da carreira, amargou uma sequência dura de decepções

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 23 Oct 2019, 10h00 - Publicado em 23 Oct 2019, 08h59

No jargão do futebol portenho, diz-se que um time é hijo (filho) de outro quando acumula uma sequência de derrotas – o equivalente ao nosso bom e velho “freguês”. Feita a explicação, não há como negar: sob a batuta do técnico Marcelo Gallardo, o River Plate alterou completamente a “paternidade” do clássico argentino. Bicho-papão na década de 2000, o Boca Juniors acumulou nesta década nada menos que cinco derrotas em mata-matas contra o maior rival, a última delas na semifinal da Libertadores desta terça-feira 22, na Bombonera. Além de Gallardo, outro personagem viveu os dois lados da moeda: o ídolo boquense Carlitos Tevez.

O veterano foi a grande aposta do Boca para a semifinal. Depois da derrota por 2 a 0 na primeira partida, o técnico Gustavo Alfaro lançou mão da experiência e da qualidade do atacante, torcedor fanático e cria do Boca, consagrado em todos os países em que atuou, inclusive no Brasil, pelo Corinthians. O último encontro entre os rivais em uma semifinal da Libertadores trazia ótimas lembranças a Carlitos: no longínquo ano de 2004, ele marcou um gol na partida no Monumental e acabou expulso ao imitar uma galinha (forma pejorativa como boquenses se referem aos rivais). O Boca, que havia vencido três das quatro edições anteriores, levou a vaga nos pênaltis e viveu o auge de hegemonia sobre o inimigo. Gallardo, então um elegante meio-campista e ídolo do River, não atuou naquela partida, pois havia sido expulso no jogo de ida.

Marcelo “Muñeco” Gallardo Friedemann Vogelv/Getty Images

Os anos passaram e Tevez enfileirou conquistas na Europa até chocar o mundo em 2015 ao trocar a Juventus por um retorno ao clube do coração. Sua volta, porém, coincidiu com a consagração do maior treinador do continente. Marcelo “Muñeco” (Boneco) Gallardo assumiu o River em 2014, num época em que o clube ainda sofria o trauma de um rebaixamento inédito, e desde então, abocanhou nada menos que dez troféus. E ainda devolveu ao torcedor “millionario” o gosto de superar o Boca, ano após ano. A maior façanha foi bater o rival na famigerada decisão da Libertadores em Madri, naquela que foi considerada por muitos a maior final da história do futebol. Faltava, porém, um último castigo a Tevez. Na mesma moeda, na semifinal, na casa do adversário.

Nesta terça, Tevez ganhou a vaga de titular, a faixa de capitão e buscou liderar um time irregular, bem mais frágil que os esquadrões da qual fez parte na década passada. Jogando mais recuado, o camisa 10 até fez um bom primeiro tempo – foi o único a clarear jogadas e abrir mão dos lançamentos. No segundo tempo, os 35 anos pareceram pesar. Mais uma vez, Carlitos deixou o campo com semblante abatido, assistindo à festa dos rivais na Bombonera. Foi a quinta derrota do Boca para o River de Gallardo, que, de forma bem mais sutil que Tevez há 15 anos, aproveitou para alfinetar o rival. “Sinto uma felicidade enorme pelos jogadores e por nossos torcedores, que devem estar muito felizes e contentes. O River vai jogar outra final de Libertadores depois de eliminar mais uma vez o Boca. A felicidade não cabe no meu corpo.”

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Tevez, triste, tratou de enaltecer o público da Bombonera, que reconheceu o esforço dos atletas com aplausos e canções ao final da partida. “Sinto orgulho por essa torcida. Porque nem todo torcedor, quando perde um clássico e é eliminado, tem a grandeza de aplaudir de pé. Sou orgulhoso por ser capitão deste clube e dói na alma não poder dar alegria para eles. Sou orgulhoso de ser do Boca.”

As cinco vitórias do River de Gallardo sobre o Boca Juniors:

1 – Semifinal da Sul-Americana 2014 (1 a 0 na ida; 0 a 0 na volta)

2 – Oitavas da Libertadores de 2015 (1 a 0 no Monumental; o jogo na Bombonera foi suspenso após um torcedor atirar gás de pimenta nos atletas do River; posteriormente, a Conmebol excluiu o Boca do torneio)

3 – Supercopa da Argentina de 2018 (2 a 0)

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4 – Final da Libertadores de 2018 (2 a 2 na ida; 3 a 1 na volta)

5 – Semifinal da Libertadores de 2019 (2 a 0 na ida; 0 a 1 na volta)

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