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Rio desiste de velódromo. E você paga os R$ 134 milhões

Valor previsto para nova arena é muito próximo do custo da reforma da atual, que custou R$ 14 mi e deve mesmo ser demolida, já que não serve para 2016

Por Da Redação - 2 nov 2012, 09h50

“As autoridades esportivas podem vir aqui e olhar com calma o projeto. A gente faz as adaptações que forem necessárias, mas derrubar não dá”, dizia Eduardo Paes em julho

O velódromo do Rio de Janeiro, construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, será mesmo demolido para a Olimpíada de 2016. Na época, o custo da obra foi de 14,1 milhões de reais. A demolição já havia sido decidida pela Empresa Olímpica Municipal, presidida por Maria Silvia Bastos Marques, em julho deste ano. Diante da péssima repercussão da notícia, a Prefeitura do Rio decidiu recuar e reavaliar a situação, cogitando uma reforma para evitar o desperdício do dinheiro público consumido pelo projeto. Na quinta-feira, as autoridades municipais concluíram que não será possível realizar as obras no atual velódromo sem gastar quase o mesmo valor que a construção de uma nova arena. A conta, como de costume, ficará com o contribuinte brasileiro: o governo federal deverá bancar o novo velódromo olímpico, orçado em cerca de 134 milhões de reais. A reforma do velódromo do Pan custaria cerca de 126 milhões. No total, os dois velódromos somam um investimento de 148 milhões de reais. Do primeiro, devem ser aproveitadas partes da estrutura, como a pista de madeira, que poderá ser usada em um novo centro de treinamento da modalidade, também bancado pelo governo, em Goiânia.

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Além do velódromo, outra arena importante erguida para o Pan, o Centro Aquático Maria Lenk, também não dará conta de receber as provas olímpicas da natação e do nado sincronizado. Erguido ao custo de 85 milhões de reais e quase abandonado depois da competição de 2007, o Maria Lenk só será capaz de receber o polo aquático e os saltos ornamentais. Somados, o centro aquático e o velódromo consumiram quase 100 milhões de reais dentro do orçamento do Pan (que inicialmente ficava abaixo dos 400 milhões mas acabou batendo na casa dos 4 bilhões de reais). De acordo com o Comitê Organizador dos Jogos de 2016, o velódromo do Rio, erguido na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, não está nos padrões adequados para a competição olímpica. Pior: pode até oferecer risco para os atletas. Problemas como a existência de duas pilastras estruturais no centro da pista, que impedem a visão completa do árbitro, impediam seu uso na Olimpíada. O número de lugares na arquibancada é outra dificuldade. Nos padrões internacionais, o velódromo precisa ter capacidade para 5.000 pessoas, enquanto a arena do Rio tem apenas 1.500 assentos.

Vista geral do velódromo durante evento teste para as Olimpíadas de Londres
Vista geral do velódromo durante evento teste para as Olimpíadas de Londres VEJA

O prefeito Eduardo Paes defendia que se reaproveitasse a arena de alguma forma: “As autoridades esportivas podem vir aqui e olhar com calma o projeto. A gente faz as adaptações que forem necessárias, mas derrubar não dá”, disse ele em julho. Quando o velódromo foi erguido, em 2006, os Jogos de 2016 ainda eram apenas um projeto do Rio. Já se sabe, porém, que a construção não estaria de acordo com as exigências do evento caso a cidade fosse confirmada como sede olímpica. O dossiê da candidatura da cidade, entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2009, já citava a necessidade de “uma grande reforma” do complexo, mas o custo previsto era de 70 milhões de reais, quase a metade do orçamento atual da empreitada. Além do ampliação das arquibancadas e do número de vestiários, a reforma incluiria alterações na inclinação e curvatura da pista e a retirada das pilastras centrais para desobstruir a visão dos juízes. O diretor-geral do Comitê Rio-2016, Leonardo Gryner, já avisava na época: �”A reforma requer tantas modificações que pode ser que custe mais caro do que fazer outro”.

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