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Rio de Janeiro será sede dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul

Por Da Redação - 1 out 2009, 19h13

O Rio será a sede da Olimpíada de 2016. Com uma campanha avaliada em mais de 100 milhões de reais, a cidade desbancou o favoritismo de Chicago, deixou para trás Tóquio e Madri e foi escolhida nesta sexta-feira pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar os Jogos. Com o resultado, o mundo vai poder assistir, daqui a sete anos, à primeira Olimpíada disputada na América do Sul. Os gastos com os projetos que tornarão o Rio apto a receber o evento deverão ser de quase 25 bilhões de reais.

Chicago foi eliminada logo na primeira rodada de votação. Pouco depois, foi a vez de Tóquio dar adeus à disputa. A decisão ficou entre Rio e Madri – e a cidade brasileira venceu por uma diferença bastante expressiva: 66 votos a 32.

A escolha do Rio é fruto de uma intensa – e bem preparada – campanha, além, é claro, do excelente momento que vive a imagem do país no exterior. Lá fora, o Brasil tem sido elogiado pela estabilidade e força de sua economia, como uma nação emergente com projeção cada vez maior no cenário internacional.

Em entrevista pouco depois do anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a vitória mostra que o Brasil passou a ser respeitado internacionalmente, deixou ser “um país de 2ª categoria”. Sobre as perguntas sobre a derrota da Chicago de Barack Obama, Lula foi enfático. “Eu não ganhei do Obama. Foi o Rio que ganhou de Chicago, de Madri e Tóquio. Fui eu que incentivei o Obama a comparecer. Eu falei que seria muito ruim ter uma cidade concorrendo e ele longe. Mas somos todos amigos”, afirmou.

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Em nenhuma das suas seis tentativas anteriores de sediar uma Olimpíada – para os Jogos de 1936, 1944, 1948, 1960, 2004 e 2012 -, o Rio havia sequer passado da primeira fase. Desta vez, porém, os organizadores analisaram mais de 250 propostas para as diversas áreas urbanas e prepararam um relatório mais criterioso para entregar ao COI. Ficaram de fora planos que poderiam causar dúvidas ou que corressem o risco de não ficar prontos a tempo, como a ligação de metrô entre a Barra da Tijuca e a Zonal Sul.

Em sua apresentação na manhã desta sexta, o Brasil optou pelo tom emotivo e contou com os discursos de personalidades como ex-presidente da Fifa João Havelange, o comandante do COB e comitê da candidatura, Carlos Arthur Nuzman, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho e a velejadora Isabel Swan, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. (No vídeo a seguir, acompanhe o discurso de Nuzman aos membros do COI).

Video

Apoio oficial – A campanha carioca contou, também, com um importante diferencial: o comprometimento dos três níveis de governo. Na quinta-feira, o presidente Lula entregou pessoalmente aos membros do COI o Ato Olímpico, documento por meio do qual o governo federal reforça o compromisso de dar suporte e fazer os investimentos necessários para a realização dos Jogos.

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O texto baseia-se em 64 pontos que atendem as necessidades operacionais e logísticas da organização da Olimpíada e da Paraolimpíada e garante a execução de todos eles. Entre as medidas estão a dispensa de concessão de visto para os estrangeiros credenciados, a criação de uma agência reguladora de transporte e tráfego durante o evento, a coordenação de tarifas hoteleiras e a garantia de leis e regras de controle de dopagem alinhadas às diretrizes da Agência Mundial Antidoping (Wada).

Custos – Uma campanha tão grandiosa não poderia ter custado pouco. Segundo o ministro do Esporte Orlando Silva, o governo gastou pouco mais de 100 milhões de reais na candidatura. Estima-se que somente com a hospedagem da comitiva que foi à Copenhague fazer campanha pela cidade e acompanhar o resultado o comitê de postulação tenha gasto quase 1 milhão de reais. Os brasileiros fecharam um dos hotéis mais sofisticados da capital dinamarquesa e fincaram uma bandeira do Brasil no topo do prédio. Alguns membros do comitê de candidatura foram autorizados, inclusive, a se hospedar no hotel Marriot, onde estavam todos os membros do COI.

Na quarta-feira, o Congresso aprovou a liberação de mais 30 milhões de reais para o Ministério do Esporte, a título de apoio à candidatura do Rio. O dinheiro, que não estava previsto no orçamento, será repassado na forma de crédito extraordinário, instrumento usado para cobrir despesas emergenciais. Em 2008, o governo já havia liberado 85 milhões de reais para a candidatura. O simples fato de se tornar candidata, independente da campanha, já custou caro. Ao ter a candidatura aceita, uma cidade deve pagar ao COI 150.000 dólares e assinar o contrato de aceitação de candidatura. Ao passar da primeira fase, são outros 500.000 dólares.

Projeto – Agora que a cidade está confirmada como sede, começam os preparativos para tornar o Rio apto a receber os Jogos. O projeto carioca prevê um orçamento de mais de 14 bilhões de dólares (quase 25 bilhões de reais) -é correspondente ao que as outras três finalistas pretendiam gastar juntas. Mais de um terço desse dinheiro será investido somente na área de transportes. Portos, rodovias e aeroportos passarão por reformas e três linhas de BRT, um sistema de ônibus de alta performance, semelhante ao projeto Ligeirinho, de Curitiba, serão implantadas. Os novos traçados interligarão áreas da Barra da Tijuca, Zona Sul, Zona Norte e Centro do Rio.

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A ideia é triplicar o uso de transporte de massa na cidade. Além disso, o COI espera pela revitalização da área do porto, o desenvolvimento de um parque para esportes radicais no bairro de Deodoro e investimentos em complexos residenciais e esportivos na vinhança do Maracanã. A Olimpíada deixará um enorme legado para a população da cidade. Pelos cálculos dos organizadores, em uma conta bastante conservadora, o evento deve criar pelo menos 15 000 empregos fixos e outros 50 000 temporários. Boa parte deles nos setores de construção civil e serviços. Antes que os Jogos terminem, porém, é praticamente impossível saber ao certo número de oportunidades que surgirão antes, durante e depois da sua realização.

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