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Rio-2016: vice do COI diz que nunca viu tantos problemas

Cartola australiano confirma a intervenção do comitê e lamenta situação 'crítica' no Brasil, mas descarta a troca de cidade-sede: 'Não há plano B. Vamos ao Rio'

“O COI criou uma força especial para tentar acelerar os preparativos, mas no local a situação é crítica”, afirmou o cartola

O Comitê Olímpico Internacional (COI) não faz mais a menor questão de esconder sua preocupação com os preparativos para os Jogos do Rio-2016. Nesta terça-feira foi a vez de John Coates, dirigente australiano que ocupa a vice-presidência do comitê, manifestar publicamente sua irritação com os atrasos e problemas vistos na próxima sede olímpica. O cartola aumentou ainda mais a pressão sobre os brasileiros ao dizer, durante um fórum sobre os Jogos em Sydney (palco de uma Olimpíada considerada exemplar), que o Rio de Janeiro vive situação “crítica”, com os piores preparativos que ele já viu em sua carreira. Coates visitou o Rio de Janeiro seis vezes como membro da Comissão de Coordenação do COI que supervisiona os Jogos. O australiano disse que a equipe carioca tem o mesmo tamanho da que estava envolvida nos Jogos de Londres-2012 nessa mesma etapa dos preparativos (cerca de 600 pessoas), mas não conta com a experiência necessária para a empreitada.

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Traçando um quadro sombrio para 2016, ele confirmou o que os assessores do próprio COI tentaram desmentir recentemente, depois que a entidade anunciou medidas duras para fiscalizar e acelerar as obras. Quando a imprensa tratou do tema como uma “intervenção” do COI no Rio, os dirigentes tentaram falar em uma “parceria” para melhorar os trabalhos. Mas Coates não tomou os mesmos cuidados nesta terça: ele confirmou que o COI se viu obrigado a adotar medidas “sem precedentes”, colocando especialistas para atuar no comitê organizador e para garantir que o megaevento seja preparado a tempo. “O COI criou uma força especial para tentar acelerar os preparativos, mas no local a situação é crítica”, afirmou. O australiano descartou, porém, a possibilidade de transferência dos Jogos para outra cidade-sede, como os mais pessimistas chegaram a defender. “O COI adotou um papel mais ativo, algo sem precedentes para o comitê, mas não há plano B. Vamos ao Rio.”

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A construção de muitas instalações olímpicas sofre com atrasos e aumentos dos custos em meio à contagem regressiva para os primeiros Jogos Olímpicos no continente sul-americano. “Acredito que a situação é pior que em Atenas-2004”, disse Coates, que trabalha há quase 40 anos no movimento olímpico, citando uma edição dos Jogos que foi especialmente problemática. “Em Atenas tínhamos de lidar com um governo e algumas responsabilidades municipais. No Rio existem três esferas de governo envolvidas. Existe pouca coordenação entre os governos federal, estadual e municipal, que é o responsável por grande parte das construções”, explicou o australiano no fórum em Sydney. “E isso tudo em uma cidade que tem problemas sociais que devem ser abordados, num país que também está tentando organizar a Copa do Mundo, que acontecerá em poucos meses”, lembrou, em tom alarmado. Por fim, Coates reclamou da dificuldade que encontra na hora de tentar obter informações sobre os preparativos do Rio. “Ninguém é capaz de oferecer as respostas neste momento.”

(Com agência France-Presse)