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Rio-2016: Russa que delatou escândalo de doping é liberada para competir como “neutra”

Yuliya Stepanova, de 29 anos, foi a primeira atleta que denunciou o esquema de corrupção nas amostras dos competidores da Rússia

Delatora do escândalo de doping da Rússia, a corredora Yuliya Stepanova foi autorizada nesta sexta-feira pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) a competir nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. A entidade anunciou, via comunicado divulgado no site oficial, que a atleta russa foi liberada para participar do evento sob “bandeira neutra” por sua “contribuição excepcional para a proteção e promoção de atletas limpos, fair play e integridade”.

A suspensão aplicada ao atletismo russo de não participar de competições internacionais não se aplicará à Stepanova, que como “atleta neutra” disputará a Olimpíada sem representar seu país. No entanto, a própria IAAF alerta que cabe a cada organização das competições decidir de que forma Stepanova poderá atuar e como seriam contabilizadas suas medalhas. O primeiro teste sob “bandeira neutra” antes da Rio-2016 ocorrerá no campeonato europeu, em Amsterdã, entre os dias 6 e 10 de julho.

Stepanova e seu marido, Vitaly Stepanov, ex-membro da Agência Antidoping Russa (Rusada), delataram o esquema que evidenciou a corrupção massiva no controle antidoping russo. A corredora de 29 anos expôs documentos e fez um depoimento à rede alemã ARD, que tornou as denúncias públicas, ajudando mais tarde na investigação da Agência Mundial Antidoping (Wada), que publicou em novembro um informe de 323 páginas descrevendo a “indústria” montada em Moscou para garantir medalhas com a ajuda do doping e o envolvimento direto do governo russo. Stepanova foi considerada “traidora” na Rússia e acabou mudando-se para a Alemanha.

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Pedidos – Segundo a IAAF, há mais de 80 pedidos de atletas russos a serem analisados. A bicampeã olímpica no salto com vara, Yelena Isimbayeva, está entre esses competidores. Ela chegou a acusar a entidade de estar “violando os direitos humanos”. As decisões sobre quem poderá ir ao Rio de Janeiro devem ser anunciadas nos próximos dias. A previsão é de que um número reduzido de atletas seja autorizado.

(Com Estadão Conteúdo)