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Rio-2016: refugiados poderão competir em nome da bandeira olímpica

O presidente do COI, Thomas Bach, anunciou a novidade em reunião na ONU. No passado, atletas já competiram como "independentes" por questões políticas

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta segunda-feira durante a 70ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que atletas refugiados poderão competir nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016 representando a bandeira olímpica – fato que já ocorreu no passado em situações distintas. O presidente do COI, Thomas Bach, pediu ajuda às nações para que possa identificar atletas refugiados de alto rendimento que tenham condições de participar dos Jogos no Brasil.

“Atualmente, nenhum desses atletas poderia competir nos Jogos Olímpicos, mesmo que tenham se classificado esportivamente. Como refugiados, eles não têm um país ou uma federação a representar. Por isso, os atletas que não tiverem equipe nacional, uma bandeira ou um hino serão bem-vindos aos Jogos para que concorram sob a bandeira e o hino olímpicos”, disse Bach.

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“Os atletas refugiados terão um lar junto aos 11.000 atletas dos 206 comitês olímpicos nacionais na Vila Olímpica. Serão um símbolo de esperança para todos os refugiados do mundo, o que fará com que o mundo se dê conta da dimensão desta crise”, afirmou o dirigente alemão durante a reunião na ONU que marcou a aprovação da chamada “Trégua Olímpica” durante os Jogos de 2016.

Histórico – Mesmo que algum refugiado reúna as condições para participar dos Jogos, esta não será a primeira vez que um atleta compete pela bandeira olímpica. Os chamados “atletas independentes” já participaram dos Jogos por causa de transições políticas ou problemas com as confederações nacionais. A primeira vez ocorreu nos Jogos de Barcelona-1992, a primeira edição após o Fim da Guerra Fria.

Doze dos 15 países da antiga União Soviética competiram sob a bandeira olímpica pela chamada “Equipe Unificada”, que, inclusive, foi a campeã do quadro de medalhas. Neste mesmo ano, a Iugoslávia foi proibida de competir devido a uma punição da ONU pela guerra civil no país. Os atletas iugoslavos, então, competiram de forma independente e três deles, inclusive, subiram ao pódio: Jasna Sekaric (prata), Aranka Binder (bronze), Stevan Pletikosi (bronze), todos no tiro esportivo.

Nos Jogos de Sydney-2000, o Timor-Leste, país que havia acabado de se separar da Indonésia, enviou quatro atletas que competiram pela bandeira olímpica. Em Londres-2012, três atletas que eram registrados pelas Antilhas Holandesas foram autorizadas a participar como “apátridas” após a dissolução da ilha e de sua federação.

Outro atleta, o maratonista Guor Marial, virou um símbolo de protesto contra as guerras na África. Antes registrado pelo Sudão, ele se negou a participar pelo país africano quando o Sudão do Sul, região onde nasceu, se tornou independente. Marial, que perdeu 28 parentes em batalhas, disse que “estaria traindo seu povo” se competisse pelo Sudão. Ele, então, competiu nos Jogos de Londres sob a bandeira do COI. Marial conseguiu, ainda criança, se mudar para os EUA, mas pretende competir pela sua terra natal, o Sudão do Sul, nos Jogos do Rio de Janeiro.

O alemão Thomas Bach, presidente do COI, com a bandeira olímpica

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(da redação)