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Rio-2016: Australianos repudiam gritos homofóbicos no Itaquerão

As arqueiras Lydia Williams, da Austrália, e Stephanie Labbé, do Canadá, foram os alvos dos torcedores

Por Da redação - 4 ago 2016, 15h00

Durante o primeiro dia de competições nesta quarta-feira, um ato lamentável vindos de uma parte dos cerca de 20.000 torcedores que acompanhavam a partida de futebol feminino, entre Austrália e Canadá, na Arena Itaquera, chocou a imprensa australiana. Quase uma infeliz “tradição” nas arquibancadas brasileiras, o grito homofóbico “bicha” dirigido aos goleiros, nas cobranças de tiro de meta, ecoou novamente – e pela primeira vez em um jogo entre mulheres. As arqueiras Lydia Williams, da Austrália, e Stephanie Labbé, do Canadá, foram as vítimas da vez.

O jornal australiano The Sidney Morning Herald criticou a atitude dos torcedores como “ofensiva”. Em entrevista à publicação, o técnico da seleção da Austrália, Alen Stajcic, afirmou que nem ele nem as jogadoras entenderam os gritos, mas sabiam que se tratava de algo ofensivo.  “Não sei a história por trás disso, mas não soa agradável”, disse o treinador.

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Copa do Mundo de 2014 – Durante o Mundial no Brasil, a Fifa foi duramente criticada por ativistas dos direitos LGBT por não punir seleções por causa do comportamento de torcedores em algumas partidas. Em uma delas, entre México e Camarões, os torcedores mexicanos entoaram gritos e insultos homofóbicos toda vez que o goleiro adversário cobrava um tiro de meta. Na época, a Fifa chegou a abrir um processo contra a Federação Mexicana de Futebol, mas no fim o caso foi absolvido.

Futebol brasileiro – Nos últimos anos, algumas torcidas do Brasil tomaram como exemplo o grito homofóbico mexicano e passaram a entoar o termo “bicha” sempre que um goleiro adversário cobra um tiro de meta. O xingamento virou um triste costume nos estádios. Em setembro de 2014, a diretoria do Corinthians divulgou uma nota de repúdio ao ato de seus torcedores e cobrou o fim das provocações.

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O ex-goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, foi o primeiro alvo, no futebol brasileiro, do canto homofóbico por parte das torcidas rivais. Curiosamente, em vez de sabotar o grito, a torcida são-paulina também começou a fazer o mesmo toda vez que um goleiro adversário batia um tiro de meta, assim como outras torcidas de outros clubes nacionais.

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