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Ricardo Teixeira faz acordo para cortar vínculos com a Fifa

Ao suspender aposentadoria, o ex-cartola espera se livrar de possível processo

Numa tentativa de se distanciar ainda mais da Fifa e evitar um possível processo, o ex-cartola brasileiro Ricardo Teixeira rompeu com todos os vínculos financeiros com a entidade. O ex-presidente da CBF era membro do Comitê Executivo da Fifa até 2012, o que lhe dava direito a receber aposentadoria até o ano de 2030. Teixeira, porém, fechou um acordo e recebeu um pacote de benefícios em uma só parcela milionária. “Teixeira faz parte do passado”, disse o chefe do Comitê de Auditoria da Fifa, Domenico Scala, que confirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a “bolada” recebida pelo brasileiro. Scala não revelou o valor recebido por Teixeira.

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Pelas regras da entidade, todos os cartolas do Comitê Executivo têm direito à aposentadoria. Em 2013, o brasileiro teria, em tese, uma pensão da Fifa de cerca de 60.000 reais, valor que entraria em sua conta até ele completar 82 anos. O dinheiro é pago como uma retribuição pelos “serviços prestados ao futebol”, diz a Fifa. A entidade reservou 16,8 milhões de reais para as pensões dos 24 membros de seu Comitê Executivo, um “pé-de-meia” que eles mesmos criaram em 2005. Ao cortar todos os vínculos com a Fifa, Teixeira espera se afastar de qualquer processo legal na entidade. Pelo seu estatuto, a Fifa só pode julgar e punir quem mantém algum vínculo com ela.

Teixeira é citado na investigação sobre a escolha do Catar para receber a Copa do Mundo de 2022. Ele foi um dos dirigentes que dera, seu apoio à candidatura do país árabe num processo cercado de suspeitas. Uma eventual punição por corrupção no caso pode ser comprometida pelo fato de ele ter se distanciado da Fifa. Isso não significa, porém, que uma ação judicial não possa mais ser tomada. Teixeira deixou a CBF e a Fifa em março de 2012, em meio a uma série de escândalos e suspeitas que se acumulavam. Alguns meses depois, a entidade chegou a divulgar documentos da Justiça da Suíça que comprovavam que Teixeira havia recebido propinas no valor total de 45 milhões de reais.

Além de Teixeira, o ex-presidente da entidade, João Havelange, também estava envolvido no escândalo de corrupção. Ainda assim, nem a Fifa e nem seu presidente, Joseph Blatter, jamais tomaram qualquer ação em relação a Teixeira (que chegou a ser apontado como possível candidato à sucessão de Blatter) e Havelange (de quem o suíço foi auxiliar durante muitos anos). Pela publicação dos documentos, ficou evidenciado que os dois ex-cartolas brasileiros pagaram uma multa para encerrar o processo. No caso do Catar, a previsão é de que a divulgação da extensa investigação sobre o processo eleitoral ocorra em novembro.

(Com Estadão Conteúdo)