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Recordista mundial, Cielo fica sem o pódio nos 100 metros

Bronze nessa mesma prova em Pequim, Cielo não conseguiu repetir a façanha: foi sexto colocado. Ouro foi para americano. Agora, restam 50 metros nado livre

Por Giancarlo Lepiani, de Londres 1 ago 2012, 16h29

Cielo, de 25 anos, chegou à Olimpíada carregando as esperanças do torcedor brasileiro, mas sem assustar e intimidar os concorrentes como no passado

O Brasil teve frustrada mais uma grande esperança de medalha nos Jogos Olímpicos de Londres. César Cielo Filho, recordista mundial dos 100 metros nado livre, foi apenas o sexto colocado na final desta quarta-feira, no Centro Aquático do Parque Olímpico. Nadando na raia 2, ao lado do novo ídolo francês Yannick Agnel, Cielo largou bem e virou em quarto lugar, mas ficou para trás na segunda metade da prova, vencida pelo americano Nathan Adrian – ele surpreendeu o favoritíssimo australiano James Magnussen, que teve de se contentar com a prata. O bronze ficou para o canadense Brent Hayden, atual vice-campeão mundial. O brasileiro marcou 47s92, enquanto o medalhista de ouro fez 47s52. Na Olimpíada de Pequim-2008, Cielo foi bronze nessa mesma prova, com o tempo de 47s67. Dois dias depois, conquistou o primeiro ouro em Jogos na sua especialidade, os 50 metros nado livre – distância em que, além de campeão olímpico, é bicampeão e recordista mundial. “O objetivo foi cumprido, que era nadar abaixo dos 48 segundos. Não deu pódio, mas agora é partir para os 50 metros, a minha prova”, disse ele na saída da piscina. “Estava descansado, me senti bem, mas os outros nadaram bem hoje.” Na manhã de quinta, Cielo dá início a uma nova tentativa de medalha, nadando as eliminatórias dos 50 metros, a partir das 6 horas (no horário de Brasília). Ao seu lado na bateria final estará Bruno Fratus, outro brasileiro apontado como candidato a uma medalha na prova mais rápida da natação. Por ter conseguido completar a primeira metade da prova desta quarta entre os líderes, Cielo acha que tem boas chances na distância menor. “Velocidade eu tenho”, lembrou. “Vamos partir para defender esse título.”

O desafio de Cielo agora é encontrar equilíbrio para nadar bem sua prova favorita, onde segue forte na briga – até porque, ao contrário do que ocorreu nos 100 metros, não há nenhum nadador em nível muito acima dos brasileiros nesta temporada. O atleta paulista, de 25 anos, chegou à Olimpíada carregando as esperanças do torcedor brasileiro, mas sem assustar e intimidar os concorrentes como no passado. Sua melhor marca nos 100 metros nado livre neste ano não figurava entre os tempos mais baixos registrados nos meses que antecederam a Olimpíada – tinha só a sétima marca da lista, 48s28, obtida no Rio de Janeiro, em abril. Em sua semifinal em Londres, ficou em segundo lugar, perdendo a bateria para o australiano Magnussen – foi o quinto mais rápido na classificação geral. Foi um desempenho muito distante ao de sua coroação como campeão e recordista mundial em Roma, há três anos, quando o brasileiro fez o percurso em impressionantes 46s91. No último Mundial, em 2011 – quando teve de competir carregando a pressão do escândalo de acusação de doping surgida meses antes -, foi o quarto colocado, com 48s01. O caso de doping, aliás, foi um episódio difícil na trajetória do atleta, um dos maiores ídolos esportivos do país na atualidade. Criticado por outros nadadores ao ser flagrado no exame antidoping por uso de substância proibida, defendeu que foi vítima de um erro – teria consumido um suplemento alimentar contaminado. As autoridades internacionais da natação fecharam o caso dando apenas uma advertência a Cielo, que foi autorizado a participar do Mundial de Xangai – onde voltou a ser campeão nos 50 metros. Na chegada a Londres, ele garantia já ter superado o episódio, prometendo foco total na piscina. Também garantiu que não se sentia pressionado, nem pelas expectativas do público, nem pelo fato de, ao contrário de Pequim, chegar para estes Jogos como um nadador consagrado, sempre cotado para uma medalha.

No vídeo a seguir, Cielo fala sobre os preparativos para a defesa do título dos 50 metros livre:

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