Real Madrid registra receita recorde na temporada 2025/26; veja valores
O salto foi puxado pelas receitas comerciais e pela nova estrutura do Santiago Bernabéu, hoje totalmente reformado
O Real Madrid encerrou o exercício fiscal de 2025/26 com um resultado histórico: 1,221 bilhão de euros (cerca de 7,1 bilhões de reais) em faturamento operacional, número que reforça a posição do clube espanhol como o mais rentável do futebol mundial. O salto foi puxado pelas receitas comerciais e pela nova estrutura do Santiago Bernabéu, hoje totalmente reformado.
Só o estádio já responde por parte relevante desse crescimento: a exploração do espaço cresceu 11% e gerou 363 milhões de euros (2,1 bilhões de reais) aos cofres do clube. O marketing e os patrocínios também tiveram alta, de 6%, somando 539 milhões de euros (3,1 bilhões de reais) — um reflexo direto da força da marca Real Madrid dentro e fora de campo.
Para Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol, o momento do clube vai além dos números: “Além do sucesso dentro de campo, consolidou-se como uma marca de altíssimo valor e uma referência internacional em gestão bem-sucedida, com resultados que ampliam seu potencial econômico e atraem investidores cada vez mais interessados em associar suas marcas à projeção midiática do clube.”
O balanço também trouxe outros indicadores positivos: um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 287 milhões de euros (1,6 bilhão de reais) e patrimônio líquido de 624,4 milhões de euros (3,6 bilhões de reais). O lucro líquido cresceu 8%, chegando a 26,3 milhões de euros (152 milhões de reais), ante 24,3 milhões de euros na temporada anterior. Entre os fatores que explicam o avanço estão a arena multiuso, que passou a faturar com shows e eventos fora do calendário do futebol, os novos acordos comerciais atrelados à valorização da marca e uma gestão mais eficiente, que fez o crescimento de dois dígitos na receita do estádio superar o aumento dos custos de manutenção.
Pouco antes da Copa do Mundo, o clube ainda anunciou a renovação de duas parcerias históricas. Com a Emirates, o novo contrato vai até 2031 e pode chegar a 100 milhões de euros por ano (600 milhões de reais) — um recorde entre clubes europeus e um salto em relação à faixa anterior, de 70 milhões a 80 milhões de euros por temporada. Já o acordo com a Adidas, vigente desde 1980, foi estendido até 2034, com valores que podem alcançar 120 milhões de euros por ano (720 milhões de reais). A ligação com a Emirates, iniciada em 2011, também é antiga: a marca ocupa o espaço principal da camisa desde a temporada 2013/14.
Especialistas ouvidos veem nesses números um sinal claro de que, no marketing esportivo atual, contratos de longo prazo valem tanto quanto o valor anual negociado, já que transformam patrocínio em receita previsível e em plataforma de construção de marca. No caso da Emirates, o novo acordo passa a incluir também o basquete e as categorias de base, além de maior visibilidade no Bernabéu, acesso às instalações de treinamento e ao Emirates Lounge, espaço de hospitalidade dentro do estádio.
Essa lógica de transformar o estádio em destino também aparece na leitura de Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality: “O Santiago Bernabéu deixou de ser apenas a casa do Real Madrid e agora é uma atração na cidade. Funcionando durante todo o ano, por exemplo, com shows, eventos, jogos e até experiências gastronômicas, a ideia é transformar o torcedor ocasional em um frequentador desses ambientes e atrair outros públicos.”







