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Real aceita a pressão por ‘la décima’ – mas sem obsessão

O técnico Ancelotti, o capitão Casillas e o zagueiro Sergio Ramos garantem que o time não perderá a concentração por causa da grande expectativa da torcida

Por Giancarlo Lepiani, de Madri - 20 Maio 2014, 14h06

“Quando vencemos a nossa nona Liga dos Campeões, imediatamente já se falava sobre a décima. O Real não deveria ter ficado tanto tempo sem ganhar esse título. Batemos na trave nas últimas três temporadas, mas neste ano queremos conseguir a taça”, disse Casillas

Nos últimos anos, os grandes clubes da Europa (e também do Brasil) passaram a lançar camisetas comemorativas depois da conquista de cada título importante. O Real Madrid, porém, não esperou a final da Liga dos Campeões, contra o rival Atlético de Madri, no sábado, em Lisboa. As vitrines do centro da capital espanhola estão forradas de camisetas oficiais com a seguinte inscrição: A la décima, em referência à chance de chegar a uma dezena de títulos europeus em caso de vitória na decisão do fim de semana. O modelo produzido pela Adidas (e vendido por nada menos de 75 reais, mesmo sendo uma singela camiseta branca de algodão com uma pequena estampa em azul e amarelo) ilustra bem o tamanho da expectativa do time mais popular da Espanha a poucos dias do clássico em Portugal. Passados doze anos desde a última conquista – com Zidane, hoje auxiliar técnico, marcando o gol decisivo na final contra o Bayer Leverkusen, em Glasgow -, o torcedor do Real, conhecido por ser extremamente exigente, não quer voltar a adiar a comemoração pelo décimo título. Depois do treino desta terça-feira, no centro de treinamentos do clube, na região norte da cidade, o técnico Carlo Ancelotti e seus atletas reconheceram a cobrança dos seguidores do clube, mas garantiram que a pressão pela conquista não atrapalhará a equipe em Lisboa.

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“É um orgulho para mim estar nesta final”, disse Ancelotti, que já levantou o troféu quatro vezes, como jogador e técnico, com o Milan. “Não sinto uma pressão ruim, só a alegria de poder participar deste momento. Estou tranquilo”, garantiu o italiano, que prometeu usar sua experiência em finais da competição para evitar que seus comandados sintam-se excessivamente ansiosos. “Não há obsessão pelo título. Há motivação, vontade de entrar na história do clube. É uma oportunidade de ouro. Poder ganhar a décima é algo positivo.” Participante das conquistas de número oito e nove, o capitão Casillas, que completou 33 anos nesta terça, também enxerga a final do sábado como uma oportunidade, não como um problema. “É uma responsabilidade grande. Para mim, que ainda era um iniciante doze anos atrás, essa final será uma chance de aproveitar muito mais que nas outras vezes.” O goleiro concordou com o técnico ao afirmar que o título não pode ser visto como uma obsessão, mas está ciente do tamanho da expectativa da torcida. “Quando vencemos a nossa nona Liga dos Campeões, imediatamente já se falava sobre a décima. O Real não deveria ter ficado tanto tempo sem ganhar esse título. Batemos na trave nas últimas três temporadas, mas neste ano queremos conseguir a taça.”

Ausências – Outro líder da equipe, o zagueiro Sergio Ramos, também reconheceu que o longo período sem uma conquista europeia causa mais ansiedade do que a marca dos dez títulos. “Já são muitos anos sem chegar à final. Esta é uma oportunidade única. Seria muito duro deixar de vencê-la e um sonho conquistar o título. Espero que seja o jogo da minha vida.” Ramos surpreendeu ao apontar o Atlético como favorito, por ser o atual campeão espanhol. O próprio zagueiro afirma, porém, que “o Atlético merece o título nacional, mas a Liga dos Campeões é outra coisa”. Gareth Bale, que fará sua primeira final do torneio, as lembranças do nono título ainda estão vivas. “Estava assistindo em casa. O golaço do Zidane e a conquista do título foram inesquecíveis para quem torce para o Real. Mas não há nenhuma pressão a mais porque pode ser o décimo título. A pressão existe por ser uma final de Liga dos Campeões.” Bale foi um dos titulares que não participaram do treino da manhã, junto com Pepe e Benzema. Tanto o galês como Cristiano Ronaldo, que trabalhou separado do grupo, foram confirmados por Ancelotti no jogo de sábado. O brasileiro naturalizado português e o atacante francês, contudo, ainda são dúvidas. “Neste momento, não podem jogar. Mas vamos esperar até o último momento”, explicou o técnico.

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Ancelotti projetou uma final sem favoritos e com muito equilíbrio, até porque os adversários já se conhecem a fundo. “Não existem segredos neste jogo. Será uma partida igual e difícil, contra um rival muito consistente e com excelente conjunto. Acredito que o time que entrar em campo com mais coragem e personalidade vencerá.” Questionado sobre a possibilidade de escalar jogadores ainda em recuperação, o italiano discordou de Diego Simeone, treinador do Atlético, que na véspera disse que não colocará na final nenhum atleta que não esteja 100% pronto. “É possível um atleta render bem mesmo não estando em sua condição ideal. Só não pode haver risco de lesão. Se não houver risco algum para Benzema, por exemplo, ele jogará.” Para alívio dos treinadores das seleções cujos atletas estão envolvidos na decisão, Ancelotti disse não esquecer que a temporada não termina no sábado, e que a Copa do Mundo vem aí – assim, quem estiver ameaçado de agravar uma lesão não jogará, não só para não se arriscar na final como também para se preservar para a ida ao Brasil em junho. Difícil será convencer atletas tão ambiciosos como Cristiano, Benzema e Pepe a ficar de fora de uma partida cujos protagonistas poderão entrar de vez na história do Real.

https://youtube.com/watch?v=9MGu5sPHEJI%3Frel%3D0

2013: Bayern

Depois de perder duas decisões em três anos – uma delas, em seu próprio estádio -, o Bayern não deixou passar a terceira oportunidade de levantar a taça. Em um clássico alemão, a equipe de Munique derrotou o Borussia por 2 a 1 no Estádio de Wembley.

2012: Chelsea

A equipe londrina surpreendeu e conquistou seu primeiro título contra o Bayern de Munique, na casa do adversário, a Allianz Arena. Didier Drogba foi o grande destaque da final, que foi decidida nos pênaltis depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

2011: Barcelona

Com Messi inspirado e com Pep Guardiola como técnico, o Barça foi campeão no Estádio de Wembley, em Londres, fazendo 3 a 1 no Manchester United. O jogo é considerado uma das melhores da fase de ouro da equipe catalã sob o comando de Guardiola.

2010: Internazionale

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O argentino Milito foi o destaque na vitória da equipe italiana sobre o Bayern, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri – fez os dois gols na vitória por 2 a 0 e deu à Inter de Milão um título que não conquistava desde a década de 1960. Mourinho era o técnico.

2009: Barcelona

Eto’o e Messi marcaram os gols da vitória catalã no Estádio Olímpico de Roma, contra o Manchester United de sir Alex Ferguson e da dupla de ataque formada por Rooney e Cristiano Ronaldo. Foi o terceiro título do torneio continental para o Barça.

2008: Manchester United

Na final entre os ingleses, a equipe de Alex Ferguson levou a melhor sobre o Chelsea, no Estádio Luzhniki, em Moscou. No tempo normal, Cristiano Ronaldo abriu o placar e Lampard empatou. Na cobrança de pênaltis, Anelka perdeu e o United comemorou.

https://youtube.com/watch?v=e5iNzdPlAj4

2007: Milan

Com grandes atuações de Kaká e Inzaghi, a equipe italiana se vingou da derrota para o Liverpool na final de 2005. A decisão disputada no Estádio Olímpico de Atenas foi totalmente dominada pelo Milan, que conquistou seu sétimo título da Liga dos Campeões.

2006: Barcelona

Com Ronaldinho Gaúcho em grande fase, o Barça era favorito contra o Arsenal no Stade de France, em Paris. Os ingleses saíram na frente com Campbell, mas os catalães viraram com gols de Eto’o e do brasileiro Belletti. Foi o bicampeonato do Barcelona.

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2005: Liverpool

Uma das maiores surpresas da história do torneio – não pela vitória da equipe inglesa, clube tradicional na competição, mas sim pela recuperação histórica. O Milan vencia por 3 a 0 no intervalo em Istambul. O Liverpool buscou o empate e venceu nos pênaltis.

2004: Porto

Carlos Alberto e Deco estavam entre os destaques da jovem equipe do Porto treinada por um então desconhecido, José Mourinho. Do outro lado estava outra zebra, o Monaco. A final, disputada em Gelsenkirchen, terminou com vitória dos portugueses, 3 a 0.

https://youtube.com/watch?v=9y7zKOKJGzk

2003: Milan

A final entre dois italianos no estádio Old Trafford, em Manchester, foi marcada pelo enorme equilíbrio. Milan e Juventus ficaram no 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Na disputa por pênaltis, Dida defendeu três cobranças e Shevchenko selou a vitória do Milan.

https://youtube.com/watch?v=OLh6lGlXC3A%3Frel%3D0

2000: Real Madrid x Valencia

https://youtube.com/watch?v=jjYPOj2hros%3Frel%3D0

2003: Milan x Juventus

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https://youtube.com/watch?v=jGJ62A2_CTQ%3Frel%3D0

2008: Manchester United x Chelsea

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