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Reabilitada, França enfim baixou a bola. Mas só um pouco

Depois do fiasco de 2010, técnico Deschamps se diz aliviado com classificação às quartas, 'o que já não é um fracasso'. Mas Pogba desafia Alemanha e Brasil

“Não houve agressividade dos torcedores em Brasília, só apoio aos adversários, o que é normal. Preferíamos que eles apoiassem a nós, mas a Copa não está acontecendo na França”, disse Deschamps

A campanha vexaminosa na Copa do Mundo da África do Sul conseguiu o que muitos pensavam ser impossível: baixar a bola – e os narizes – da quase sempre arrogante seleção francesa. Depois de se garantir nas quartas de final do Mundial no Brasil, nesta segunda-feira, com uma vitória sobre a Nigéria, em Brasília, o técnico dos Bleus, Didier Deschamps, mostrou-se aliviado em não ter repetido a vergonha do antecessor, Raymond Domenech, eliminado logo na primeira fase (e cujo ato derradeiro no cargo foi se negar a cumprimentar o brasileiro Carlos Alberto Parreira, então técnico da equipe sul-africana, depois de ser derrotado por ele). “Pelo menos já não é um fracasso, isso é certo”, disse o ex-capitão da seleção, que levantou a taça em 1998, depois da final contra o Brasil. “Viemos para cá pensando em fazer uma boa campanha, nos classificamos em primeiro lugar do grupo e agora já estamos entre as oito melhores seleções, e isso significa muita coisa.” Mas a França em roupagem humilde não vai festejar antes da hora: “Não podemos ser� pretensiosos. Estou muito orgulhoso do que já fizemos, mas temos uma nova etapa pela frente e será preciso trabalhar bastante para atravessá-la”, disse o técnico.

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Deschamps que disse não ter preferência entre Alemanha e Argélia, possíveis adversários nas quartas (“Será dificílimo contra qualquer uma”) e que evitou mostrar qualquer irritação com o apoio maciço dos brasileiros aos nigerianos nesta segunda (“Não houve agressividade dos torcedores, só apoio aos adversários, o que é normal. Preferíamos que eles apoiassem a nós, mas a Copa não está acontecendo na França”). Como nem tudo muda de uma hora para outra, o discurso polido e pés-no-chão de Deschamps contrastou com a postura do herói do jogo desta segunda, o jovem volante Pogba. Desfilando um corte de cabelo com faixas descoloridas e postura de fazer inveja aos craques mais marrentos do futebol mundial, o atleta da Juventus apareceu para receber o troféu de melhor jogador em campo falando grosso. “Somos a seleção nacional da França e não temos medo de ninguém. Jogaremos para vencer contra qualquer equipe”, avisou, ao ser questionado sobre a chance de encarar a forte Alemanha nas quartas. “Há muita rivalidade entre França e Brasil e seria um prazer enfrentá-los”, disse, ao comentar a possibilidade de um encontro com os donos da casa na semifinal.