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“Queridinho” no Rio Open, Thiem é eliminado, mas garante: ‘amo jogar aqui’

O austríaco, número 4 do ranking mundial, perdeu em sets diretos, nas quartas de final, para o italiano Gianluca Mager

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 22 fev 2020, 21h08 - Publicado em 22 fev 2020, 19h46

Desde um tradicional “come on, Dominic” a um “vamos, Domi”, foi assim que o público brasileiro tratou e torceu por Dominic Thiem,  número 4 do ranking da ATP, durante o Rio Open 2020. O austríaco, longe de suas melhores atuações, foi eliminado pelo italiano Gianluca Mager, 128 do mundo, por 2 sets a 0 (parciais de 7×6/7×5), para decepção do público local, que perdeu seu “queridinho”, da organização, que perdeu o principal jogador, e até mesmo de jornalistas, que perderam o destaque de suas matérias.

A torcida para Dominic Thiem era um consenso no Rio Open, mas suas atuações após a grande final do Australian Open, diante do brilhante – e campeão – Novak Djokovic, foram decepcionantes. Aquela final, inclusive, cobrou caro fisicamente e mentalmente ao austríaco, que admitiu a dificuldade na transição da Austrália para o Rio. “Eu estava bem. É sempre difícil passar por um exaustivo Grand Slam, o corpo e a mente caem de rendimento. Colocar tudo de volta no lugar, em uma superfície diferente, em um país diferente, no outro lado do mundo, não é fácil. Definitivamente, não joguei meu melhor tênis essa semana. Lutei de alguma maneira para melhorar, mas infelizmente não aconteceu. Ele (Mager) mereceu vencer, foi o melhor e precisa levar os créditos”, disse Thiem, em coletiva.

A torcida brasileira pelo austríaco começou “velada” pelo confronto da primeira rodada, contra o brasileiro Felipe Meligeni que, assim como o tio Fernando, sabe usar o público a seu favor. Após a dura vitória, o apoio a Thiem estava oficialmente liberado na quadra central e, de fato, pode ter sido fundamental para ele, que sofreu em todas as partidas, mas o público, tímido – seja pela chuva ou pelo horário geralmente entrando pela madrugada -, levantava para tentar empurrá-lo nos momentos críticos do jogo.

Foi assim que Thiem saiu de um buraco contra Jaume Munar, da Espanha, e virou o jogo (parciais de 6×7/6×3/6×4). Neste sábado, contra Gianluca Mager, Thiem por pouco não conseguiu sair de um buraco ainda mais profundo. O italiano sacou em um 5 a 4 para fechar a partida. Assim que o árbitro Mohamed Lahyani disparou o “tempo”, o público brasileiro gritou mais alto para incentivar o austríaco. O italiano, em rara oportunidade no jogo, teve seu saque ameaçado e quebrado, para delírio dos brasileiros. A reação, no entanto, parou no 5 a 5, quando um Thiem frustrado, com movimentações e táticas incomuns, perdeu seu serviço e consequentemente o jogo.

Thiem sentiu o joelho na primeira rodada, contra o brasileiro Felipe Meligeni, mas afirmou que foi apenas um susto, apesar da nítida dificuldade em seus movimentos dentro de quadra, principalmente no saque e no backhand – sua principal arma no tênis. O austríaco elencou os motivos que tornam o Rio de Janeiro um dos lugares mais difíceis de se jogar e que, segundo ele, tornam o torneio ‘interessante’ e o fazem ‘amar’ jogar no Rio de Janeiro.

“Para jogar seu melhor tênis, você precisa estar preparado fisicamente e mentalmente. É muito difícil jogar aqui, e acho que por isso muitos jogadores estão tendo dificuldades. As condições não são fáceis, as bolas, o saibro, tudo é um pouco diferente do que em outros lugares, mas temos de nos acostumar com isso. Ao mesmo tempo, acho muito interessante jogar aqui, porque é bem mais difícil do que a maioria dos outros torneios. Quando você joga bem nos grandes torneios, que tiram muito de seu corpo e sua mente, é importante ter uma boa regeneração para os próximos. Por esse motivo, não participei de Buenos Aires, mas eu amo jogar gosto de jogar na América do Sul e amo jogar aqui (no Rio).”, contou Thiem.

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O “amor” de Thiem pelo Rio de Janeiro vem desde 2017, quando ele venceu o Rio Open em sua primeira participação. Desde então, o austríaco escalou o ranking e se consolidou como um dos melhores do mundo, um dos poucos a se aproximar do Big 3, formado por Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. A evolução de Thiem foi acompanhada de perto pelos brasileiros, pois o austríaco não ficou de fora de nenhuma edição do Rio Open desde seu título. Em sua vitória contra Meligeni, Thiem colocou sua relação com a torcida como um dos motivos para voltar ao Brasil em todos os anos.

“A torcida, óbvio, estava torcendo para o Felipe, mas a atmosfera estava divertida para jogar. Desde meu título aqui, em 2017, tenho uma relação bem especial com os torcedores brasileiros e esse é um dos motivos para me fazer voltar a jogar no Rio”, revelou o austríaco.

No ano passado, Thiem foi eliminado surpreendentemente na primeira rodada do Rio Open, mas deu a volta por cima e foi campeão do Masters 1000 de Indian Wells, próximo torneio que disputará neste ano. “Agora, vou para Los Angeles. Meu corpo ainda precisa se recuperar completamente da viagem da Austrália e da preparação para iniciar a temporada. Vou tirar uns dias de folga e depois recomeçar o trabalho físico para tentar, assim como no ano passado, jogar em um bom nível em Indian Wells. Fiz o mesmo plano no ano passado e espero que funcione da mesma maneira”, finalizou.

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