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Preso, Carlos Arthur Nuzman se afasta da presidência do COB

Em carta, o dirigente do Comitê Olímpico do Brasil garante: "Vou defender minha honra e provar minha inocência diante dos desportistas do mundo inteiro"

Por Alexandre Salvador - Atualizado em 7 Oct 2017, 17h04 - Publicado em 7 Oct 2017, 15h58

Preso desde a última quinta-feira no presídio de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, decidiu se licenciar do cargo que exerce desde 1995, quando assumiu o comando do COB. Em comunicado publicado no site da entidade neste sábado, foi apresentada uma carta datada de sexta-feira, na qual Nuzman também confirma o afastamento do posto de presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 e explica sua decisão: “Somente assim, entendo, poderei dedicar-me ao sagrado direito de defesa, trazendo a necessária tranquilidade para a correta administração do esporte olímpico brasileiro e, logicamente, não interferindo no aperfeiçoamento e desenvolvimento de seus atletas.

Nuzman já havia sido suspenso pelo Comitê Olímpico Internacional na sexta-feira, o que acarreta no congelamento de todos os pagamentos feitos pelo COI a entidade que gere o esporte olímpico brasileiro. A decisão, porém, não afeta a participação de atletas do país em competições internacionais. Com a punição, Nuzman também foi excluído da Comissão de Coordenação dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Está marcada para a próxima quarta-feira uma reunião extraordinária na sede do Comitê para discutir a decisão do COI. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Nuzman deve renunciar à presidência do COB. O dirigente foi alvo central da Operação Unfair Play (Jogo Sujo, em tradução livre do inglês), um desdobramento da Lava-Jato conduzido pela Polícia Federal e Ministério Público que apura um esquema de propinas que garantiu a indicação do Rio como sede da Olimpíada do ano passado.

O agora presidente licenciado do COB já havia sido conduzido pela PF em setembro para prestar depoimento sobre seu envolvimento com Arthur Soares, empresário foragido e acusado de transferir somas milionárias de dinheiro a dois dirigentes senegaleses, Papa Massata e Lamine Diack, o último ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo e membro do comitê que escolheu a sede dos Jogos de 2016.

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Confira a íntegra da carta:

Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2017.

Aos Membros da Assembleia do Comitê Olímpico Brasileiro

(Aos Cuidados do Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro)

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Prezados Senhores Membros:

Não posso deixar o esporte olímpico brasileiro, seus dirigentes e, especialmente, os atletas, serem atingidos, por qualquer forma, pelos acontecimentos e investigações que me envolvem injustamente.

Vou defender minha honra e provar minha inocência, diante das autoridades constituídas, nomeadamente perante o Poder Judiciário. Vou defender minha honra e provar minha inocência diante dos desportistas do mundo inteiro. Vou defender minha honra e provar minha inocência diante daqueles que me acusam e de outros que se omitem. Vou defender minha honra e provar minha inocência aos dirigentes do esporte olímpico mundial, inclusive aqueles integrantes do Comitê Olímpico Internacional.

Para exercer em sua plenitude o meu direito de defesa, até agora violado, afasto-me, a partir desta data, dos cargos de Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e de Membro Nato da Assembleia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro. Afasto-me, também, do cargo de Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

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Meu afastamento perdurará pelo tempo que se fizer necessário para minha completa, inquestionável, exoneração de qualquer responsabilidade pela prática dos atos que, indevida e injustamente, me são imputados. Somente assim, entendo, poderei dedicar-me ao sagrado direito de defesa, trazendo a necessária tranquilidade para a correta administração do esporte olímpico brasileiro e, logicamente, não interferindo no aperfeiçoamento e desenvolvimento de seus atletas. 

Cordialmente,

Carlos Arthur Nuzman

Presidente

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