Clique e assine a partir de 9,90/mês

Presidente do COI diz que caso Semenya é ‘muito delicado’

Sul-africana está proibida de competir entre mulheres por ter alto nível de testosterona no organismo

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2019, 14h28 - Publicado em 6 maio 2019, 14h26

A sul-africana Caster Semenya, de 28 anos, está proibida pela IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo, na sigla em inglês) de disputar provas de 400 a 1.500 metros entre mulheres, por exceder o limite de testosterona no organismo. O caso continua chamando a atenção e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach, destacou nesta segunda-feira, 6, a complexidade da situação.

“Os especialistas vão estudar este problema muito delicado e complicado. É um caso que devemos levar em conta as federações internacionais, são suas regras que estão em jogo, suas regras técnicas. Às vezes, entre os especialistas do mundo médico, como entre os advogados, há discussões muito complicadas. Por isso não sei quando o grupo de trabalho terá suas conclusões”, disse Bach, em coletiva na cidade de Brisbane, na Austrália.

A decisão da IAAF foi apoiada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que negou o recurso da bicampeã olímpica nos 800 metros. O tribunal estabeleceu um limite de 5 nanomols de testosterona por litro de sangue em provas de meia distância. Semenya, porém, por uma condição endócrina chamada hiperandrogenismo, produz naturalmente o hormônio em excesso. Ela deverá tomar medicamentos para reduzir os seus níveis de testosterona se quiser competir entre as mulheres.

Semenya, de 28 anos, ganhou destaque em 2009 ao conquistar o título mundial dos 800 m rasos, em Berlim. A melhora incrível de seus resultados levantou suspeitas de doping e dúvidas sobre seu gênero. A sul-africana foi submetida a controversos e invasivos testes para provar que é mulher, dando início a uma disputa ética e judicial com a federação de atletismo.

Continua após a publicidade

Na última sexta, Semenya venceu a prova de 800 metros na etapa de Doha, no Catar, da Diamond League, que pode ter sido a última competição disputada pela sul-africana. “Não usarei nenhum tipo de medicamento. Mas não deixarei o atletismo. É mais do que um esporte, é sobre a dignidade humana, orgulho humano. A corrida foi fantástica e eu fiz o que tinha que fazer, estou muito feliz, acho que estou neste mundo por uma razão”, disse ela, após a vitória.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade