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Preocupado com legado, Londres finaliza instalações dos Jogos Olímpicos

Guillermo Ximenis.

Londres, 28 out (EFE).- Londres vive tão preocupada com os Jogos Olímpicos do ano que vem quanto com o legado que será deixado em uma cidade de oito milhões de pessoas e graves problemas de espaço.

Por isso, foi pedido pelo Comitê Organizador (Locog) e aos arquitetos que trabalharam em projetos olímpicos que fossem idealizadas soluções ‘sustentáveis e úteis para as próximas gerações’, disse à Agência Efe um dos responsáveis pelo desenho do Parque Olímpico, Chris Jopson.

Sob essas premissas, apenas cinco dos locais que estão sendo construídos em Stratford, ao leste de Londres, serão permanentes, enquanto o restante será totalmente desmontado para liberar espaço em uma das cidades mais povoadas da Europa.

Um dos cinco estádios que permanecerá de pé no futuro é o de handebol, que atrairá durante os últimos dias de julho o olhar de milhões de pessoas para se transformar depois em um ginásio poliesportivo municipal à disposição dos moradores de uma das áreas menos desenvolvidas de Londres.

Tanto é assim que, além das linhas de handebol, a quadra também já está demarcada para que a população dispute após os Jogos partidas de badminton, basquete e futsal.

‘A faceta mais interessante desta construção é a vida que terá após os Jogos, mais importante até que seu uso durante o evento em si. Construímos pensando que estará aqui, pelo menos, nos próximos 50 anos’, relatou um dos arquitetos do escritório britânico Populous, que desenhou a Handball Arena, Brian Ditchbum.

O estádio, que custou 34,5 milhões de euros, inclui também elementos para melhorar a acústica, visando transformá-lo em uma dos locais de show mais populares da capital britânica.

Aos 6 mil assentos das atuais arquibancadas, se somará uma capacidade de 1,5 mil pessoas que poderão acompanhar os eventos de pé, dentro da quadra, diante de um palco adequado para bandas não muito conhecidas, incapazes de encher os 20 mil lugares de outros recintos, como a O2 Arena, mas que atraiam um público maior que o comportado por grande parte das casas da capital britânica.

Também está concluído o maior símbolo dos Jogos, o Estádio Olímpico, cuja estrutura de aço já está pronta no centro do Parque de Stratford e cujo piso vermelho receberá os homens e as mulheres mais rápidos do mundo.

Temporariamente, o Estádio Olímpico, que custou cerca de 570 milhões de euros, é o que tem a terceira maior capacidade entre todos do Reino Unido, com 80 mil pessoas, atrás apenas do Twickenham, de rúgbi, com 82 mil, e Wembley, com 90 mil.

Porém, quando foram encerrados os Jogos Paraolímpicos, em 9 de setembro, serão iniciadas obras de remodelação que retirarão um quarto da capacidade do estádio.

O último dos grandes locais que já está pronto é o Centro Aquático, desenhado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid, ganhadora do prêmio Pritzker, e que custou aproximadamente 333 milhões de euros. As duas piscinas, de 50 e 25 metros, já estão cheias de água.

O desenho interior do Centro, no qual predomina a cor branca e cuja estética lembra a de um museu de arte contemporâneo, recebeu diversos elogios por parte da imprensa britânica e do prefeito de Londres, Boris Johnson, que afirmou, após vê-lo pela primeira vez, que não esperava que fosse tão bonito e o chamou de ‘poesia arquitetônica’.

As duas piscinas, de 3 e 5 metros de profundidade, terão também uma segunda vida depois dos Jogos, quando serão retiradas as duas ‘asas’ que têm 17,5 mil assentos, para deixar o local com uma capacidade máxima de 2,5 mil pessoas. EFE