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Por que a ‘avalanche’ não tem espaço na Arena do Grêmio

Em dois jogos no estádio, o setor sem assentos foi palco de duas confusões. Polícia vai investigar a queda do alambrado e bombeiros farão perícia técnica

Nos grandes estádios europeus, modelos de arenas modernas e seguras, é raríssimo encontrar algum setor onde não há cadeiras numeradas

Foi o primeiro jogo do Grêmio desde que a tragédia em Santa Maria vitimou dezenas de torcedores da equipe gaúcha – e a última imagem que o público precisava ver era a de jovens estendidos ao chão recebendo atendimento médico. Foi, também, a segunda partida do clube em sua nova casa – e, pela segunda vez, o único setor sem cadeiras da moderna Arena do Grêmio foi palco de uma situação tensa e perigosa. A queda do alambrado atrás de um dos gols, no momento da comemoração do gol do Grêmio contra a LDU, na noite de quarta-feira, em Porto Alegre, deixou oito pessoas levemente feridas, além da forte sensação de que a tradicional “avalanche” realizada por parte da torcida gremista em seu velho Estádio Olímpico não tem mais lugar desde a mudança para a Arena. O estádio, o primeiro da “geração 2014” no país da Copa, simboliza a transição para uma nova fase na vida do torcedor brasileiro, que finalmente passará a ter conforto e segurança na hora de acompanhar seu time de perto. O novo setor da geral gremista, uma tentativa de manter um costume dos fanáticos pelo clube, buscava adaptar a tradição do torcedor gremista nesse novo contexto. Pelo que se viu até agora, a “avalanche” e o bem estar do público no novo estádio podem acabar sendo incompatíveis. Depois da quebra do alambrado, o coronel Alfeu Freitas, comandante da Polícia em Porto Alegre, afirmou que o episódio será investigado e que o setor passará por uma perícia técnica realizada pelos Bombeiros.

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Na inauguração da Arena, em dezembro, uma enorme briga entre os próprios torcedores gremistas manchou a festa e reforçou as preocupações das autoridades de Porto Alegre, que já hesitavam em permitir a manutenção do lugar sem cadeiras. No início da partida, era o setor mais festivo e colorido do estádio. No intervalo de jogo, estava sem faixas ou bandeiras – e tomado por policiais. O risco de problemas naquela parte da Arena é reforçado pela maior concentração de torcedores. Enquanto nos setores numerados cada um tem seu lugar, na geral há um número muito maior de pessoas dividindo o espaço, que não tem assentos. Na noite de quarta, o problema não foi a violência dos torcedores mais exaltados, mas sim a quebra da grade que separa o público do gramado logo na primeira “avalanche” da torcida. Muitos torcedores caíram no fosso que separa a arquibancada do campo. Não houve ferimentos graves, mas o jogo ficou interrompido por alguns minutos – e a polícia teve de se deslocar para o setor para garantir a segurança no decorrer da partida. Nos grandes estádios europeus, modelos de arenas modernas e seguras, é raríssimo encontrar algum setor onde não há cadeiras numeradas. Sinal de que, por mais que parte da torcida lamente, talvez seja a hora de deixar a “avalanche” para trás, junto com as lembranças do Estádio Olímpico.

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