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Por política, a seleção revisita o seu passado em Goiânia

Antes de jogar nas novíssimas arenas da Copa, o time de Felipão se prepara para amistoso treinando no ultrapassado Serra Dourada, cheio de improvisos

Quando a cidade acabou sendo cortada da lista (preterida por outras duas sedes da região central do país, Brasília e Cuiabá), restou à CBF tentar amenizar a frustração de Goiânia com aparições menos destacadas da equipe nacional – nos últimos anos, já são três visitas

Goiânia não está na Copa do Mundo, mas ainda assim foi uma das paradas mais frequentes da seleção brasileira na caminhada até o torneio. Na tarde desta segunda-feira, a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari iniciou um treino preparatório para o primeiro amistoso antes da estreia, no dia 12, em São Paulo, num cenário que remete ao passado do futebol brasileiro. Próximo de completar quarenta anos de existência, o Estádio Serra Dourada já foi um dos melhores palcos do país. Não é mais: desgastado pelo tempo e ultrapassado tanto na arquitetura como na funcionalidade, o palco do amistoso de terça à tarde (às 16 horas de Brasília), contra o Panamá, não lembra em absolutamente nada as arenas erguidas para o Mundial. Aberto ao público, o treino desta segunda teve status de evento oficial da Fifa – os bilhetes distribuídos aos torcedores, por exemplo, tinham a identidade visual da Copa.

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A semelhança com a grande festa do futebol ficou só nesses pequenos detalhes e na recepção calorosa do torcedor goiano. Nos arredores do estádio e até na parte interna, muito improviso, acessos confusos, fluxo desordenado de torcedores e muitos obstáculos pelo caminho (perto de uma das entradas principais, uma barreira de metal afunilava a chegada das pessoas num corredor em que só passava um torcedor por vez, criando uma situação de risco). Pouco mudou desde a primeira visita do Brasil a Goiânia no atual ciclo de Copa – há três anos, em 4 de junho de 2011, a seleção empatou sem gols com a Holanda num amistoso no Serra Dourada. Ainda sob o comando de Mano Menezes, a equipe voltaria à capital de Goiás em setembro de 2012, para um dos jogos do Superclássico das Américas. Houve mais uma passagem pela cidade, há um ano, em meio aos preparativos para a Copa das Confederações.

Por que, afinal, a seleção visitou tantas vezes uma cidade que não está entre as doze sedes da Copa? Justamente por causa da ausência de Goiânia da lista das cidades que receberão as partidas do Mundial. O principal articulador da candidatura brasileira a sede do torneio, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, havia prometido aos goianos (como a tantos outros) um lugar na Copa. Quando a cidade acabou sendo cortada da lista (preterida por outras duas sedes da região central do país, Brasília e Cuiabá), restou à CBF tentar amenizar a frustração de Goiânia com aparições menos destacadas da equipe nacional. Os estádios da Copa já estão entregues à Fifa, o que tornou obrigatória a realização dos amistosos pré-Mundial (além do jogo contra o Panamá, um duelo com a Sérvia, na sexta, em São Paulo) em estádios da velha guarda do futebol brasileiro.

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Depois do jogo de terça, é muito provável que o Brasil fique um bom tempo sem visitar Goiás – nas poucas vezes em que a seleção deverá se apresentar diante do público doméstico após a Copa, é quase certo que as novas arenas serão os palcos preferidos. Acredita-se que o retorno poderá demorar cinco anos, até a Copa América de 2019 – a inclusão de Goiânia entre as sedes do torneio foi mais um dos agrados da CBF depois da ausência no Mundial. Até lá, entretanto, a capital de Goiás terá de alcançar as demais candidatas: se o Serra Dourada já parece tão antiquado hoje, é quase impossível que seja aproveitado sem que passe por uma reforma profunda até o final desta década. O governo goiano promete levar adiante essa renovação milionária – afinal, nem mesmo o crédito acumulado graças à proximidade política com a CBF será suficiente para trazer um torneio de grande porte ao velho Serra Dourada.