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Polícia do Rio cria núcleo para conter torcidas organizadas

Grupo formado por 8 delegacias, sob coordenação da divisão de atendimento ao turista, tem o objetivo de evitar crimes e brigas dentro e fora dos estádios

Dois dias depois de uma dupla de vascaínos ser espancada por integrantes da torcida organizada Young Flu, a chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marta Rocha, anunciou nesta segunda-feira a criação do Núcleo de Apoio a Grandes Eventos. O grupo será formado por oito delegacias e ficará sob a coordenação da Especializada de Atendimento ao Turista (Deat). O objetivo é conter crimes em eventos de grande porte, como o Rock in Rio e as partidas de futebol. A intenção é fazer com que o estado seja capaz de oferecer respostas mais adequadas – e rápidas – aos atos de violência, que muitas vezes são tratados como delitos menores.

O novo núcleo terá por base a interação entre os órgãos policiais. Será um trabalho interdisciplinar que envolverá a Deat e as delegacias do Consumidor, de Homicídios, da Criança e do Adolescente Vítima, de Proteção à Criança e ao Adolescente, de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial, de Repressão aos Crimes de Informática e de Defraudações. “Vamos compilar as informações. Trabalharemos com o Ministério Público, com as delegacias especializadas, com o Disque-Denúncia e com as notícias dos próprios torcedores. Atualmente, há conflitos fora dos estádios. Esses locais também serão monitorados”, afirmou o delegado titular da Deat, Alexandre Braga.

A Divisão de Homicídios (DH), que atua na capital, passará a investigar todos os casos envolvendo mortes em grandes eventos no estado. “Todo homicídio que acontecer no Rio de Janeiro vinculado a torcedores terá o apoio da DH”, disse o delegado responsável, Rivaldo Barbosa. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática vai monitorar as redes sociais, normalmente usadas pelas torcidas organizadas para combinar os crimes.

Entradas – Marta Rocha também ressaltou a necessidade de se questionar a distribuição dos ingressos às torcidas organizadas. “É importante que o ingresso não vá para essas torcidas quando elas estiverem envolvidas em algum crime”, destacou. “Queremos que a ida ao estádio seja um momento de lazer e não um embate físico”, completou ela que, por vezes, elogiou a forma de agir da delegada Cristiane Carvalho. Foi ela quem autuou em flagrante os 21 torcedores da Young Flu por crime de lesão corporal, roubo e formação de quadrilha.

O grupo agrediu dois vascaínos no sábado, antes da partida entre os dois clubes pelo Campeonato Brasileiro, no Engenhão. No total, 23 torcedores envolvidos na briga foram detidos pela polícia – 21 levados para Bangu 2, Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, e os dois menores para o centro de proteção à criança. Ainda de acordo com Marta, a maioria dos envolvidos na briga é de classe média e não tem passagem pela polícia. “Eles ainda posaram com a insígnia do time achando que poderiam parar em um tribunal menor. Não acharam que seriam tratados como facção criminosa”, criticou a chefe de polícia.

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