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Pistorius é suspeito de matar namorada; crime choca país

Polícia confirma que velocista paralímpico será investigado pelo assassinato da modelo Reeva, de 30 anos. Circunstâncias do crime ainda são nebulosas

Por Da Redação - 14 fev 2013, 10h05

Um dos países com piores índices de criminalidade urbana do mundo, a África do Sul tem numerosos registros de casos de mortes acidentais em residências

O velocista sul-africano Oscar Pistorius, principal ídolo do esporte em seu país e maior nome dos Jogos Paralímpicos, está sendo investigado por assassinato. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, horas depois de a polícia de Pretória divulgar que a namorada do atleta foi morta a tiros na residência de Pistorius, num condomínio fechado nos arredores da cidade. Num primeiro momento, a polícia não quis identificar Pistorius como suspeito. Em seguida, porém, foi confirmado que ele foi acusado pelo crime. A namorada de Pistorius, Reeva Steenkamp, modelo, 30 anos, morreu na madrugada desta quinta (no horário local) depois de ser atendida por paramédicos no condomínio Silverlakes. A imprensa local divulgou que a principal suspeita era de que o corredor tivesse confundido Reeva com um ladrão – ela entrou na casa no meio da noite. A polícia, no entanto, trabalha com todas as hipóteses. De acordo com a rede britânica BBC, agentes ligados à investigação do caso se disseram “surpresos” com os relatos sobre um possível homicídio acidental, sinalizando suspeita em relação a essa versão. Para completar, a polícia revelou que há registros de outros “incidentes domésticos” na casa de Pistorius.

Os investigadores estão colhendo novos depoimentos e já avisaram: não querem permitir que Pistorius fique livre mediante pagamento de fiança. A agente da modelo, Sarit Tomlinson, disse que “todos os que a conheciam estão arrasados”. “Ela era um anjo, o ser humano mais doce do mundo”. Horas antes de ser morta a tiros – três ou quatro disparos, na cabeça e no braço, de acordo com relatos da imprensa local -, Reeva usou seu perfil no Twitter para contar que estava ansiosa pelo Dia dos Namorados (que é comemorado nesta quinta-feira em muitos países). Pistorius, que foi detido pouco depois do ocorrido, prestou depoimento numa delegacia próxima do condomínio. Uma emissora de rádio local afirmou que o atleta estava “traumatizado” e que sua família ficou chocada com a notícia. Ele vive numa casa grande, confortável e bastante protegida, com um muro de pedra de três metros de altura com cerca elétrica no topo. Nascida na Cidade do Cabo, Reeva foi criada em Port Elizabeth. Formada em direito, foi morar em Johannesburgo para investir na carreira de modelo – participou de campanhas publicitárias de marcas como Toyota e Avon e apresentava programas do canal FashionTV.

O relacionamento com Pistorius foi notícia na África do Sul – afinal, ele é uma das pessoas mais conhecidas do país, com uma fama que ultrapassa as fronteiras do esporte. Conhecido como “Blade Runner” por causa das lâminas de fibra de carbono que usa para correr, Oscar Pistorius, de 26 anos, fez história no ano passado, em Londres, ao se tornar o primeiro corredor amputado a participar em uma edição dos Jogos Olímpicos. Nos Jogos Paralímpicos, ele foi o grande astro do evento, já que é considerado o grande ícone da prática de esportes por portadores de deficiência. Ele teve as duas pernas amputadas pouco antes de completar um ano, por causa de uma problema congênito. Numa das provas dos Jogos de Londres, ele foi derrotado pelo brasileiro Alan Fonteles e provocou polêmica ao reclamar publicamente das próteses do brasileiro. A reação acalorada do sul-africano provocou críticas, levando o atleta a se desculpar pouco depois. Ainda assim, foi recebido como herói no retorno ao seu país, posando para fotos com suas medalhas paralímpicas e sendo homenageado pelas autoridades locais. Sua prisão depois da morte da modelo provocou espanto e transformou-se imediatamente no principal assunto do país – as emissoras de rádio e TV fazem uma extensa cobertura do caso.

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Um dos países com piores índices de criminalidade urbana do mundo, a África do Sul tem numerosos registros de casos de mortes acidentais em residências. As tentativas de assalto são tão frequentes que as pessoas acabam comprando armas para se proteger – o que aumenta o risco de trágicos equívocos dentro das próprias famílias. Há três meses, por exemplo, um homem foi preso por matar a filha de 15 anos ao confundir a garota com um ladrão. Ela chegou tarde em casa porque tinha saído com os amigos. Em 2004, outro esportista famoso foi envolvido num caso semelhante: Rudi Visagie, integrante da adorada seleção sul-africana de rúgbi, bicampeã mundial, matou sua filha de 19 anos porque achou que ela era um ladrão tentando roubar seu carro no meio da noite. A legislação local prevê proteção a quem dispara em legítima defesa no caso de invasão de residência – mesmo quando o intruso não está armado. Com isso, quem acha que será vítima de um ladrão muitas vezes não hesita em abrir fogo quando suspeita que alguém está em sua propriedade. Nas grandes cidades sul-africanas, é grande o porcentual de pessoas que têm armas em casa, mas é preciso cumprir requisitos rigorosos para ganhar o direito de comprar um revólver para se proteger.

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