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Perto da glória, Medina já gosta de ser o ‘Neymar do surfe’

Aos 20 anos, surfista brasileiro não se intimida com pressão e assédio dos fãs – e mantém sua confiança em título mundial inédito na meca do surfe, o Havaí

Por Luiz Felipe Castro 3 nov 2014, 07h02

“Essa coisa de ter a imprensa e os fãs sempre ao redor não me assusta. Pelo contrário: só prova que meu trabalho está sendo reconhecido. Eu sei lidar com isso”

Gabriel Medina tem boas chances de cravar seu nome na história do esporte nacional como o primeiro brasileiro a ser campeão mundial de surfe. O paulista de 20 anos venceu três etapas do circuito do WCT e pode conquistar o título na etapa final no Havaí, o Pipeline Masters, no mês que vem. As surpreendentes vitórias de Medina sobre a lenda do esporte Kelly Slater e suas manobras inovadoras o alçaram à condição de sensação do esporte no país, que em 2014 amargou fracassos no futebol, no basquete e até no vôlei. Com mais de 600.000 seguidores no Instagram e um exército de fãs, ele não se intimida com o assédio e nem com as comparações com ídolos nacionais como o ex-tenista Gustavo Kuerten ou o atacante Neymar. A partir desta segunda-feira, Medina poderá reencontrar os amigos de infância e os fãs mais antigos no Prime de Maresias, no município de São Sebastião, onde o surfista mora até hoje. Medina admite que usará o torneio no Brasil apenas para relaxar e treinar antes da disputa no Havaí, de 8 a 20 de dezembro, quando espera, enfim, alcançar o topo.

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Graças a seus feitos no circuito mundial de surfe, Medina passou a ser convidado para eventos e festas povoados por celebridades. Numa delas, iniciou uma amizade com o maior ídolo brasileiro da atualidade, o craque Neymar. No mês passado, o surfista esteve na casa do jogador, em Barcelona, onde jogou pôquer e trocou presentes. Ao participar de um evento em São Paulo, Medina contou ao site de VEJA que ainda não se sente uma estrela do calibre do amigo, mas deixou claro que o assédio não o intimida. “Claro que o patamar do Neymar é outro, até porque ele é um ídolo do futebol. Mas foi maneiro estar perto dele, ver como é a vida que ele leva. Essa coisa de ter a imprensa e os fãs sempre ao redor não me assusta. Pelo contrário: só prova que meu trabalho está sendo reconhecido. Eu sei lidar com isso. Tem sido um pouco estranho às vezes, mas nada assustador.” Apesar do discurso confiante, Medina mantém seu jeito de garotão, com fala mansa e pausada. Ele se divertiu ao relembrar alguns momentos que o fizeram perceber que sua carreira havia mesmo decolado. “Uma vez, em uma sessão de autógrafos na França, eu não conseguia ir embora porque tinha muita gente para me ver. Nesse dia eu fiquei assustado. Na última etapa, em Portugal, eu também mal conseguia andar na areia para competir, porque tinha uma galera me esperando, os seguranças tiveram muito trabalho. Está sendo tudo novo para mim, mas tem sido legal.”

Medina já esteve bem mais perto do título mundial. O brasileiro vem de dois resultados ruins nas etapas da França e de Portugal. Em Peniche, ele teve a chance de levantar a taça de forma antecipada, mas caiu na terceira fase e viu o atual campeão Mick Fanning se aproximar perigosamente na classificação. Mas o brasileiro garante que sua queda de rendimento não tem nada a ver com um possível deslumbramento. “Tive a chance de encerrar o campeonato ali, mas não me deixei influenciar pela pressão. Em nenhum momento eu pensei nas mensagens de parabéns que o Neymar ou qualquer celebridade iria me mandar, nada desse tipo. Eu estava pensando só em mim, mas perdi. A derrota faz parte do esporte.” Depois da derrota de Medina na etapa de Portugal, o australiano Mick Fanning, tricampeão mundial (2007, 2009 e 2013), passou a ser o maior concorrente do brasileiro, que tem 56.550 pontos no ranking, contra 53.100 do adversário. Para ser campeão sem depender de nenhum resultado dos concorrentes, Medina precisa chegar à final em Pipeline. Se voltar a ser eliminado precocemente, o garoto de Maresias terá de torcer contra os concorrentes Fanning e Kelly Slater. Medina disse que não perde tempo lamentando ter deixado a oportunidade do título escapar na primeira tentativa e confia no feito inédito na meca do surfe. “Claro que eu queria ter resolvido tudo em Portugal. Dei meu máximo, mas não adiantou. Espero que seja diferente no Havaí.”

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