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Pênaltis e Itaquera, os novos carmas do Corinthians

Paradinha equivocada de André foi a cena mais marcante do empate com o Nacional, que tirou o time da Libertadores – a quinta eliminação em casa em mata-matas

O Corinthians entrou com um dos lemas de sua torcida estampado na camisa: corintiano maloqueiro e sofredor. Há quem diga que o torcedor alvinegro já não é mais tão sofredor, devido à sequência recente de títulos importantes – e nem tão maloqueiro, graças ao perfil dos frequentadores da luxuosa arena em Itaquera. No entanto, nesta quarta-feira, o corintiano sofreu e muito na eliminação para o uruguaio Nacional nas oitavas de final da Libertadores, por dois fatores que vêm atormentando o time: os erros em cobrança de pênalti e a incapacidade para decidir os confrontos em sua nova casa – já são cinco eliminações seguidas em duelos de mata-mata no Itaquerão.

Como em praticamente todas as eliminações do Corinthians em Libertadores, um jogador se destacou no papel de vilão: o já contestado André teve a chance de empatar o jogo a 10 minutos do final, mas optou por uma paradinha equivocada, bateu fraco e viu o goleiro Esteban Conde fazer uma fácil defesa. Depois, o estreante Marquinhos Gabriel até marcou em nova penalidade nos acréscimos, mas o empate em 2 a 2 não serviu – na ida, em Montevidéu, o Corinthians teve uma postura exageradamente cautelosa e empatou em 0 a 0, o que lhe deixou fora devido ao critério dos gols qualificados, na casa do adversário.

As falhas em cobranças de pênalti têm sido um problema recorrente em 2016 desde a Copa São Paulo de Juniores: na decisão por pênaltis contra o Flamengo, em janeiro, no Pacaembu, o jovem Matheus Pereira teve a chance de dar o título ao Corinthians, mas errou uma cavadinha e o time foi derrotado. Na memória da torcida, ainda dói o erro, nas mesmas circunstâncias, de Alexandre Pato, diante do Grêmio, na Copa do Brasil de 2013, em lance que o deixou “sem clima” no clube e causou sua saída.

André não foi tão displicente quanto Pato (ainda que uma paradinha não seja a opção ideal em um jogo tão nervoso), mas também pode ficar marcado. Centenas de torcedores já recorreram às redes sociais do atacante para expor sua indignação. Ainda em Itaquera, o jogador se defendeu. “Pato é Pato, eu sou André.” Curiosamente, porém, o jogador usou a mesma justificativa do antecessor para o erro. “Bati do mesmo jeito que treinei, mas bati mal.”

As penalidades têm sido um problema maior para o time: foram sete erros em 11 cobranças só neste ano, além de uma eliminação para o Audax, na semifinal do Paulista, da marca da cal. O técnico Tite parece não saber o que fazer com seus cobradores. “Não gosto de ficar justificando, estamos todos sentidos. O pênalti que o André bateu é o mesmo que ele fez o gol a outra vez. Temos de melhorar o aproveitamento, esse é um dos pontos a melhorar.”

Mais doloroso ainda para o torcedor corintiano é a constatação de que o Itaquerão, tantas vezes apontado como um aliado do time, vem se transformando em um salão de festas para os adversários. Palmeiras, Guaraní, do Paraguai, Santos, Audax e Nacional já deixaram o estádio que abriu a Copa de 2014 classificados em mata-matas.

Os jogadores deixaram o estádio cabisbaixos e com o discurso ensaiado de que “é hora de ter calma e não de eleger culpados” por mais um fracasso em casa. O técnico Tite ressaltou as chances criadas e considerou a eliminação injusta. “Processo de crescimento é acerto e erro, passar pelas experiências, é inevitável. Gostaria que não fosse. Merecíamos passar aqui e no Paulista. Mas a efetividade nos tirou. É onde as equipes acabam pecando, na melhor escolha. É trabalho competente e tempo.”

O treinador ainda comentou sobre a tentativa de invasão ao vestiário realizada por três torcedores após a partida. Aos berros, eles foram contidos sem grande dificuldade pelos seguranças e não causaram maiores transtornos. “Três torcedores não representam 35 milhões que estão sentidos e me respeitam. Esses três não merecem o meu respeito. Os 35 milhões merecem. Ninguém é vagabundo aqui”, disse o treinador.

Os cerca de 43.000 torcedores que presenciaram mais uma frustração em casa ainda tiveram que correr para deixar o local. Devido ao uso de sinalizadores da torcida organizada, o jogo demorou alguns minutos para começar e os torcedores que dependiam do metrô (a imensa maioria), tiveram que acelerar o passo até as estações para não perder os últimos trens. Voltaram para casa ofegantes – e de cabeça inchada.

(com Estadão Conteúdo)