Pelo menos um em cada quatro jogadores da NFL que morreram tinha doença cerebral degenerativa, diz estudo
Cérebros de 235 jogadores que morreram entre 2016 e 2021 foram estudados; 215 foram diagnosticados com encefalopatia traumática crônica (CTE)
Um novo estudo revela que pelo menos um em cada quatro jogadores da NFL, liga de futebol americano dos Estados Unidos, que morreram entre 2016 e 2021, foram diagnosticados pós-morte com encefalopatia traumática crônica (ETC). O artigo da pesquisa feita pela Mass General Brigham, Universidade de Boston e a Concussion & CTE Foundation foi publicado nesta terça, 25, no British Medical Journal.
O período entre 2016 e 2021 foi escolhido pelo maior número de doações de cérebros. Foram registradas 878 mortes de ex-jogadores neste período, dos quais 235 tiveram seus cérebros doados para a pesquisa. Dentre os órgãos doados, 215 (91,4%) foram diagnosticados com ETC.
Considerando que em nem todas mortes houve doação, uma estimativa conservadora dos pesquisadores indica a prevalência de ETC em 24,5% de ex-jogadores (215 das 878 mortes), aproximadamente 1 em cada 4.
Uma estimativa no extremo oposto — considerando que todos os jogadores que não tiveram os cérebros doados tinham ETC — a prevalência chega a 97,7%. Ambas situações são consideradas improváveis e a verdadeira porcentagem corresponde a um ponto intermediário, mas acende um alerta para pesquisadores, atletas e liga.
“Estudos realizados em bancos de cérebros da comunidade mostraram que a ETC afeta menos de 1% da população em geral. Descobrir que entre 24,5% e 97,7% dos jogadores da NFL daquele período apresentavam essa doença cerebral progressiva é um alerta para a NFL e para as comunidades científicas”, diz em comunicado o autor principal do estudo, Daniel Daneshvar, presidente do Departamento de Medicina Física e Reabilitação do Mass General Brigham.
Co-diretor da pesquisa clínica, Jesse Mez, afirma que mesmo a prevalência mínima de 1/4 é “mais alta do que o esperado”.
“Se pelo menos 25% dos jogadores da NFL que morreram apresentavam essas alterações em seus cérebros, então isso parece ser um chamado à ação para promover mais discussões sobre os riscos, mais pesquisas e mais apoio às famílias afetadas”, completa Mez em um comunicado.
A pesquisa também constatou que a demência era comum entre os doadores e 95,5% desse grupo apresentou alterações patológicas compatíveis com a ETC.
Os autores do estudo pedem que a NFL tome providências, não apenas no nível profissional.
“A maior parte dos impactos na cabeça sofridos por esses ex-jogadores da NFL não ocorreu na NFL. Ocorreram no nível universitário, no ensino médio e, em muitos casos, nas categorias de base. E todos esses impactos cumulativos na cabeça resultaram em um risco aumentado”, ressalta Daneshvar.
A liga adota protocolos de concussão e de diminuição de choques de cabeça. Desde 2011, o Acordo Coletivo de Trabalho da NFL limitou o número de treinos com contato físico durante a temporada, e cinco anos depois, o circuito universitário de futebol americano Ivy League proibiu o contato físico total nos treinos.







