Parlamentar corintiana aciona governo sobre patrocínio de plataforma adulta de seu time
Damares Alves se junta a uma ofensiva contra o acordo que já está em andamento em Brasília
Mais uma parlamentar faz coro contra o contrato de patrocínio entre Corinthians e a plataforma brasileira de conteúdo adulto Fatal Fans. Mesmo sendo torcedora declarada do Corinthians, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu cobrar uma ofensiva do governo Lula contra o seu time do coração.
Válido até o fim de 2027, com possibilidade de extensão até 2028 por um total que pode ultrapassar 30 milhões de reais, o acordo garante a exibição da marca no calção do time de futebol masculino, nas costas do basquete e na barra da camisa do futsal.
Ela se junta a uma ofensiva que já está em andamento. Ativistas lançaram uma petição que ultrapassou 60 mil assinaturas e acionaram o Ministério Público, argumentando que a presença da marca expõe jovens a um “gatilho de curiosidade” para o consumo de pornografia.
Outras parlamentares, como a deputada federal Sâmia Bomfim e a deputada estadual Marina Helou, apresentaram projetos de lei para tentar banir a publicidade do segmento adulto em espaços esportivos e públicos. A proposta de Damares, no entanto, segue por um caminho diferente.
Em requerimentos oficiais, a parlamentar exige saber se o Executivo possui alguma estratégia para blindar o público infantil da exposição à marca. Os pedidos de informação têm como alvo os ministros Paulo Henrique Cordeiro Perna (Esporte) e Janine Mello dos Santos (Direitos Humanos e da Cidadania).
Nos documentos, Damares questiona as medidas adotadas pelo Executivo para proteger crianças e adolescentes da exposição à publicidade de serviços de natureza sexual no ambiente esportivo.
A senadora argumenta que o impacto do patrocínio não se restringe às arenas, alcançando transmissões televisivas, redes sociais, notícias e produtos licenciados consumidos pelo público infantojuvenil. “A criança tem um vínculo afetivo gigante com o clube e com os atletas. Aí ela vê o ídolo dela correndo no campo com a marca de um site que faz intermediação com serviços de prostituição estampada no calção. O que ela vai fazer? Ela vai pegar o celular e pesquisar o que é aquilo”, diz a parlamentar.
Cobrança
A parlamentar pede que as pastas informem se existem estudos, notas técnicas ou protocolos para restringir esse tipo de propaganda em competições com audiência de menores de 18 anos. O documento enviado aos Direitos Humanos questiona também se o ministério ou o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) receberam denúncias sobre o contrato.
Damares evoca os artigos 70 e 71 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e cobra um balanço do Programa Integra Brasil. Instituída por decreto em 2021, no governo Bolsonaro, a política pública tem como foco a prevenção de violações de direitos no contexto do futebol nacional.







