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Paralimpíada: Beth Gomes conquista ouro e estabelece novo recorde mundial

Atleta mais velha de toda a delegação brasileira conquistou a primeira medalha paralímpica da carreira; Brasil chegou a 99 na história da competição

Por Da Redação Atualizado em 30 ago 2021, 11h57 - Publicado em 30 ago 2021, 11h52

Beth Gomes, 56 anos, conquistou na manhã desta segunda-feira, 30, a medalha de ouro na Paralimpíada de Tóquio na prova de lançamento de disco da classe F53 (atletas que competem sentados com sequelas de poliomielite, lesões medulares e amputações). Essa foi a terceira medalha do dia para o país, que fica apenas uma da centésima na história da competição.

Campeã do Parapan-Americano de Lima-2019, além de quebrar o recorde mundial da modalidade no mesmo ano, com a marca de 16,89 metros, posteriormente superada por ela em 2021, com 16,92 metros, a brasileira confirmou todo o favoritismo e quebrou o próprio recorde mundial, estabelecendo 17,62 metros.

“Parece um sonho, mas um sonho que se tornou realidade. Foram cinco anos esperando por esse feito, quando fiquei fora das Paralimpíadas do Rio, por conta de uma reclassificação funcional. E hoje posso comemorar esse feito, que venho galgando com a minha treinadora a cada treino, a cada suor derramado”, disse, em entrevista ao Sportv.

“Essa medalha também é para meus pais, que estão no céu. Esse grande feito é para vocês. Quero agradecer a minha família, que tanto me apoiou, e meus amigos, que não me deixaram para trás”, completou a atleta, nascida em Santos, no litoral paulista.

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  • Na prova, ela foi a última a se apresentar. O ouro foi garantido com a marca de 15,68 metros, logo em sua primeira tentativa. Na sequência, ela quebrou o recorde mundial por duas vezes: com 17,33 metros e, posteriormente, com 17,62 metros. As ucranianas Iana Lebedieva, com 15,48m, e Zoia Ovsii, com 14,37m, ficaram com a prata e o bronze, respectivamente.

    Beth foi diagnosticada em 1993 com esclerose múltipla, doença autoimune que afeta o cérebro e a medula. Desde então, conta ter encontrado no esporte a motivação para seguir viva. Ela sofreu com depressão e tentou tirar a própria vida.

    Apelidada de “Fênix” por sempre conseguir se reinventar, superou um novo surto da doença, em 2017, em que reduziu ainda mais a sua mobilidade. Paraplégica e com o lado direito comprometido, teve o lado esquerdo do corpo afetado, ficando com as mãos em garra.

    Ela chegou ao Japão como a mais velha da delegação brasileira de 260 pessoas. Apesar dos recordes, títulos mundiais e do Pan, essa é a primeira medalha olímpica da carreira. A única participação até aqui havia sido em Pequim-2008, quando competiu na seleção de basquete em cadeira de rodas.

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