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Para rever em casa: o triunfo que tornou Guga o número 1 do mundo

Há quase 20 anos, Gustavo Kuerten derrubou dois gigantes, Pete Sampras e Andre Agassi, e assumiu o topo do tênis masculino como campeão da Masters Cup

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 2 abr 2020, 18h19 - Publicado em 2 abr 2020, 18h04

O Brasil presenciou há quase duas décadas o auge de seu maior representante na história do tênis. No dia 3 de dezembro de 2000, o catarinense Gustavo Kuerten finalizou sua irretocável temporada com o título da Masters Cup, hoje conhecida como ATP Finals, que reúne os oito melhores ranqueados do ano. Ao derrubar o lendário tenista americano Andre Agassi na final, Guga alcançou pela primeira vez o posto de número 1 do ranking da ATP.

O circuito de tênis profissional continua paralisado por causa da pandemia de coronavírus, mas VEJA vem selecionando momentos históricos do esporte para rever em casa durante a quarentena. A impecável atuação de Guga diante de Agassi está disponível na íntegra no YouTube, com transmissão em inglês da ESPN.

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A primeira memória sobre a carreira de Guga que vem à mente é o tricampeonato de Roland Garros, no saibro francês, mas a trajetória do brasileiro, hoje com 43 anos, é repleta de outras grandes conquistas. No fechamento da temporada de 2000, Kuerten entrou na quadra de piso duro de Lisboa para enfrentar Agassi valendo o título da Masters Cup. A pressão era grande para ele, que precisava da vitória para ultrapassar o russo Marat Safin e assumir a liderança do ranking, algo inédito para um tenista do Brasil.

Gustavo Kuerten, comemora ponto em sua partida contra Pete Sampras durante o Masters Cup de Lisboa Clive Brunskill/Allsport/Getty Images

Guga, além disso, só havia perdido um jogo no torneio, justamente para Agassi, que estava invicto e jogando em alto nível. Conhecido pelas grandes devoluções e pela precisão de seus golpes, o americano, já veterano naquela época, nada pôde fazer durante final. Kuerten mostrou a que veio desde o primeiro ponto, quando pressionou Agassi e desferiu um golpe potente de direita na cruzada, deixando o americano parado no meio da quadra, sem reação.

Aquele primeiro ponto, somado à quebra do saque de Agassi parece ter ditado o ritmo da partida. O maior desafio no tênis é conseguir manter um ritmo forte durante toda a partida, desviando da perda de foco quase inerente à mente humana. Guga, naquele momento, jogava em outro nível e não dava nenhuma chances a Agassi, dono de seis títulos de Grand Slam à época (oito ao final da carreira). Saque, forehand e backhand sólidos e decisivos, além da força mental, ajudaram Guga a fechar a porta na cara do americano em seguidas oportunidades.

O nível de Guga era superior até mesmo ao apresentado na semifinal, quando bateu outra lenda, o americano Pete Sampras, o arquirrival de Agassi, por 2 sets a 1 (parciais de 6×7/6×3/6×4). O americano era favorito e chegou a ter chances de quebra no saque de Guga no último set, mas o brasileiro conseguiu escapar e se classificou. O jogo da semifinal parece ter sido um alerta que Kuerten ligava a cada momento contra Agassi, que admitiu não ter conseguido o mesmo desempenho da vitória sobre Guga na primeira fase do torneio. Sob gritos eufóricos de “Vai Guga” de brasileiros e lusitanos no ginásio, o Guga chegou próximo à perfeição naquela noite, quando fechou o jogo com um triplo 6×4.

“Significa muito (ser o primeiro brasileiro número 1 do mundo no tênis), todos nós temos que celebrar muito agora. Não temos Grand Slams, grandes torneios, nem apoio da federação, mas agora chegamos lá. Venho de uma cidade pequena, ninguém acreditava que eu poderia jogar tênis e agora estou aqui”, discursou o campeão de Florianópolis, em inglês, na final da transmissão.

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