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Para Löw, título não veio em 120 minutos, mas em 10 anos

O técnico campeão do mundo explica como a Alemanha construiu uma geração de ouro e desenvolveu seu estilo de jogo: 'Com educação e formação de atletas'

Por Giancarlo Lepiani, do Rio de Janeiro - 13 jul 2014, 22h50

“Era preciso formar melhores atletas atletas, dando ênfase à qualidade técnica. Conseguimos criar centros de desempenho e excelência onde esses� frutos foram começando a surgir. O título conquistado aqui no Rio é resultado direto do excelente trabalho de educação e formação �feito na Alemanha nos últimos anos”

Para quem achou longa a espera pela comemoração alemã n�o Maracanã, o técnico da equipe campeã do mundo, Joachim Löw, manda um recado: o título conquistado neste domingo, disse ele, não é o resultado de 120 minutos medindo forças com a Argentina, mas sim de uma década de muito trabalho e organização. Ao comentar o projeto de longo prazo que tirou a seleção alemã da crise e a reconduziu ao topo, o técnico valorizou o trabalho de base realizado a partir de 2004, quando a federação local investiu pesado na formação de novos craques. �”Iniciamos esse projeto há mais de dez anos e este é o resultado final de muito trabalho, de uma evolução constante,� do desenvolvimento de uma seleção cada vez melhor”, lembrou. O título custou a chegar, e a Alemanha tropeçou em várias competições importantes, batendo na trave em duas Copas e duas Eurocopas. “Mas continuamos acreditando e trabalhando de forma árdua, e se existe um time no mundo que merece a taça é este, com jogadores com Lahm, Schweinsteiger e Klose”, disse o alemão, citando os grandes símbolos de sua equipe, remanescentes das campanhas de 2006 e 2010.

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“Ao longo desta Copa, fomos a melhor seleção. �Mas isso não se resume ao mês que passamos aqui no Brasil. Foram muitos anos de muito trabalho no caminho. Temos muito orgulho de sermos o primeiro time da Europa a vencer uma Copa na América do Sul, no Brasil, no país do futebol.” E Löw promete mais nos próximos anos: “Temos muitos jogadores excelentes, e ainda muito jovens. O Toni Kroos tem 23 anos de idade!”, lembrou, citando um dos melhores atletas de sua seleção no Mundial. Além do volante, a tetracampeã deverá levar à Rússia-2018 nomes como Thomas Müller (24 anos), Mario Götze (22), Julian Draxler (20), Christoph Kramer (23), Andre Schürrle (23), Matthias Ginter (20), Erik Durm (22) e Shkodran Mustafi (22), todos integrantes da delegação que triunfou no Brasil. Joachim Löw disse ainda que os clubes alemães também têm uma grande parcela de responsabilidade pelo salto de desempenho da equipe nacional. Com uma das ligas mais competitivas e organizadas do planeta, a Alemanha se beneficiou do bom futebol praticado pelas equipes locais.

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“É claro que a Bundesliga tem enorme influência sobre a seleção, já que forma e treina cada vez mais jovens de qualidade. Muitos técnicos têm educado bem nossos jovens valores. Em 2004, estávamos no ponto mais baixo da história do nosso futebol. Resolvemos que era a hora de mudar e passamos a investir cada vez mais na preparação dos novos jogadores. Era preciso formar melhores atletas, dando ênfase à qualidade técnica. Conseguimos criar centros de desempenho e excelência onde esses� frutos foram começando a surgir. O título conquistado aqui no Rio é resultado direto do excelente trabalho de educação e formação �feito na Alemanha nos últimos anos”, resumiu o treinador, que está há doze anos na seleção (dois como auxiliar de Jürgen Klinsmann, dez como técnico) e rejeitou as comparações com clubes como o Bayern de Guardiola e a Espanha campeã europeia e mundial. “Acho que estamos desenvolvendo nosso próprio estilo de jogo, em que temos trabalhado há muitos anos, indepentemente do que outras equipes fazem. Não queremos nos adapatar ao estilo delas, queremos jogar da nossa maneira.”

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