Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Para Itália, ‘situação mudou’. Mas ir para casa não é opção

Técnico Cesare Prandelli revela que delegação está proibida de deixar o hotel em Salvador, onde está concentrada para a partida de amanhã contra o Brasil

Por Celso de Campos Jr., de Salvador 21 jun 2013, 16h19

“Balotelli teve permissão para sair porque tem uma cor diferente da nossa”, disse o técnico, fazendo uma piada politicamente incorreta. “Mario quer estar com as pessoas, isso faz parte dele”, emendou depois

Às vésperas do clássico contra o Brasil, que vale a primeira posição do Grupo A da Copa das Confederações, o futebol ficou em segundo plano na entrevista coletiva do técnico italiano Cesare Prandelli, nesta sexta-feira, em Salvador. Repetidamente, o comandante da Azzurra teve de responder a perguntas sobre a onda de protestos que tomou o Brasil – e que estaria causando paúra na delegação peninsular, uma das poucas que desembarcou no país com familiares. Prandelli negou categoricamente que a Itália esteja pensando em abandonar a competição ou que tenha sugerido à Fifa o cancelamento do torneio. “Voltar pra casa? Absolutamente não. Nossos dirigentes não propuseram. Nossos jogadores não pediram”, sentenciou. “Estamos concentrados e focados na partida contra o Brasil.”

Leia também:

Para italiano, os protestos não preocupam. Já Balotelli…

Itália nega que pensou em abandonar torneio no Brasil

Continua após a publicidade

Fifa nega fim do evento, mas sofre pressão e cobra governo

Polícia e manifestantes entram em confronto antes de jogo

Protestos ofuscam jogos, chocam Fifa e chegam à seleção

Mesmo com tamanha convicção sobre a permanência no país, o treinador, que na quarta havia afirmado que os protestos não assustavam o elenco, admitiu que a situação mudou. “Até então, os protestos eram pacíficos, e, como eu havia dito, manifestações como essa são bem-vindas, um direito da população. Mas quando isso se torna algo violento, isso é preocupante, pois fica difícil controlar tanta gente. Antes eram 15.000, 30.000 pessoas, agora estamos falando de um milhão.” De qualquer forma, Prandelli reiterou sua confiança na organização do torneio. “Queremos uma partida de futebol, só isso. Seria um paradoxo jogar futebol e a 50 metros ter violência.” Por causa da tensão social, porém, o italiano revelou que a programação da equipe fora dos campos precisou ser alterada. “No Rio estava tudo bem, em Recife também. Mas aqui em Salvador, por precaução, fomos proibidos de sair do hotel.”

O cárcere forçado só não valeu, claro, para Mario Balotelli. Na manhã desta sexta, o indomável craque, que apoia um projeto social na Bahia, passeou calmamente pela orla de Salvador acompanhado de um amigo – e, escoltado por dois policiais militares, não se furtou a atender aos pedidos de autógrafos e fotos dos fãs. Questionado sobre o motivo da exceção, Prandelli fez uma piada politicamente incorreta: “Bem, para ele não valia, ele teve permissão porque tem uma cor diferente da nossa.” Depois, recobrou a seriedade. “Mario quer estar junto com as pessoas, com as crianças, isso faz parte dele”, afirmou, para em seguida elogiar seu camisa 9. “Dedicar-se dessa forma aos outros é importante. Quem faz isso acaba se ajudando também. Ajudar cria um senso de responsabilidade”, finalizou o filósofo Prandelli.

Continua após a publicidade

Publicidade