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Para empresa ligada à Fifa, diretor não cometeu crime

Agência Match acusa polícia de ter prendido ilegalmente o inglês Raymond Whelan e afirma que não houve venda de ingressos para Fofana, apesar da negociação flagrada em uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça

Por Da Redação 9 jul 2014, 19h39

Com os nomes envolvidos no maior esquema de cambistas já desbaratado pela polícia no Brasil, a Fifa e a agência Match, ligada à federação, adotaram, nesta quarta-feira, uma nova postura de defesa de seus representantes citados no escândalo. A agência Match passou a acusar a Polícia Civil do Rio de ter feito uma prisão “arbitrária e ilegal” de seu CEO, o inglês Raymond Whelan. Segundo a companhia, os ingressos negociados entre Lamine Fofana – argelino chefe dos cambistas, preso há uma semana – e Whelan jamais foram vendidos. Portanto, na versão da agência, não haveria crime.

Na última terça-feira, escutas telefônicas entre Whelan e Fofana apresentadas à imprensa revelavam como o cambista e o executivo negociavam pacotes de ingressos durante a Copa. A empresa confirma que Whelan falou pelo telefone com Fofana. Mas, segundo a companhia, os ingressos solicitados por Fofana foram oferecidos por Whelan por seu preço de tabela, de 24.700 dólares.

O delegado Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), indiciou onze suspeitos de integrar a máfia dos ingressos e pediu as prisões preventivas do grupo – o advogado Jose Massih, apontado como braço-direito de Fofana – foi poupado por colaborar com as investigações. Barucke também pediu a quebra dos sigilos bancário e telefônico de todos os envolvidos.

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Whelan mentiu. Até a apresentação das gravações, o diretor da Match dizia não conhecer ou ter relações com Fofana. Os ingressos, segundo a Match, teriam sido uma sobra de um pacote que havia sido comprado em 2013 ainda por uma rede hoteleira no Rio. Naquele momento, o hotel solicitava 42 ingressos. Mas informou em maio de 2014 que reduziria seu pedido. A empresa explica que, para não ficar com os ingressos na mão, no valor de 594.000 dólares, optou por revender a sobra pelo preço oficial.

Apesar de a Fifa dizer que Whelan não lidava com ingressos, o comunicado da Match aponta que o suspeito negociou os ingressos na capacidade de “consultor da Match”. Mas garante que os ingressos jamais foram vendidos. “Whelan não sabia que a Match havia bloqueado a venda para Fofana”, justificou a empresa. Ou seja, na linha de defesa da companhia, seu diretor não tinha conhecimento de uma decisão importante do comando da empresa.

A empresa de Fofana havia sido impedida de comprar ingressos, segundo a Match, depois que ficou provado que a companhia estava agindo no mercado negro. “As vendas jamais ocorreram”, garantiu a Match.

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Escutas – Para a companhia, a divulgação das escutas telefônicas é ilegal e a polícia está tirando conclusões “sem fazer investigações e sem entender minimamente” como funciona a venda de pacotes. Em um comunicado emitido nesta quarta, a Match acusa a polícia de “selecionar” o que é divulgado.

A empresa confirmou à agência Estadão Conteúdo que Whelan vai entregar “de forma voluntária” a sua credencial para a Copa do Mundo. “Whelan quer reafirmar seu compromisso em proteger os interesses da Match e da Copa”. Mas ele garante que não cometeu qualquer crime e está certo de que será absolvido.

A Match ainda acusa a polícia de não divulgar quais ingressos foram apreendidos. A empresa estima que os ingressos sejam antigos ou dos diretores da Match.

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(Com Estadão Conteúdo)

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