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Para Cafu, falta comprometimento às novas gerações de futebolistas

Em entrevista a VEJA, o capitão do penta identificou a razão, segundo o próprio, para não termos revelado nenhum grande craque desde a aparição de Neymar

Por Da Redação 2 nov 2019, 08h12

De tão repetida, a história se tornou praticamente uma lenda do futebol: antes de ser aceito no São Paulo, o ex-lateral Cafu, capitão da seleção brasileira pentacampeã do mundo em 2002, foi rejeitado em nove “peneiras”, o tradicional método adotado pelos clubes para recrutamento de novos talentos. Ele atribui a este senso apurado de resiliência o sucesso em sua longeva carreira. Para o ex-jogador, é justamente a falta de capacidade de ouvir um “não” que atrapalha as novas gerações de futebolistas brasileiros. “Muitos jovens se irritam por levar uma dura ou quando alguém levanta a voz para eles. Sem persistência e sem reconhecer eventuais falhas, não há avanço”, disse Cafu em entrevista publicada na mais recente edição de VEJA.

  • As Amarelas desta semana trouxeram o emocionante depoimento do capitão do penta, que recentemente perdeu um filho de 30 anos de forma abrupta, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Mas Cafu também aproveitou a oportunidade para refletir sobre o momento da seleção brasileira. “Com exceção de Neymar, nenhum craque oi revelado nos últimos dez anos. O motivo: falta comprometimento. Além disso, a dinâmica do futebol está errada”, disse o ex-lateral de São Paulo, Zaragoza (ESP), Juventude, Palmeiras, Roma (ITA) e Milan (ITA).

    Cafu exemplificou o erro atual na forma de se formar novos atletas com uma situação comum nos grandes clubes brasileiros. “O pai de um garoto bom de bola entrega a carreira dele bem cedo a um empresário ou procurador. Alguns meninos começam a ganhar 30 000, 50 000 reais por mês. Imagine o que isso não faz com a cabeça deles, ainda mais se tiveram origem humilde. Aos 23 anos, não querem mais saber de nada. Eu recebia ajuda de custo para transporte quando comecei”, afirmou o ex-camisa 2 da seleção.

    Na entrevista a VEJA, o ex-jogador fez questão ainda de exaltar a importância do técnico Telê Santana, seu primeiro comandante como profissional, em sua vida: “Ele amava dar treino e eu, aprender. O Telê corrigiu a minha maneira de chutar a bola, exaustivamente. Enquanto meia, eu dava pauladas. Como lateral, precisava aprender a chutar de forma que a bola fizesse um arco – então virei esses lateralzinho que vocês conheceram.” Além disso, reforçou seu papel atuante dentro do esporte. “Faço parte do corpo conselheiro da Fifa (…). Foi minha a ideia de fazer uma quarta substituição durante a prorrogação.”

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