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Paes afirma que ‘perde o sono’ com obras em Deodoro

Complexo esportivo, que receberá competições de oito modalidades, ainda não foi licitado. Prefeito nega que haja intervenção do COI no projeto de 2016

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro - 10 abr 2014, 21h23

Criticado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) pelo atraso nas obras da Olimpíada de 2016, o prefeito Eduardo Paes negou, no início da noite desta quinta-feira, que a instituição tenha determinado uma intervenção na preparação dos Jogos. Horas antes, o próprio COI divulgou nota informando que as medidas anunciadas por seu presidente, Thomas Bach, nesta quinta-feira, na Turquia, não caracterizam uma intervenção. Entre elas, está a contratação de consultoria para avaliar diariamente o andamento das obras.

O prefeito, no entanto, admitiu problemas na construção do Parque Olímpico de Deodoro, na Zona Oeste do Rio, que sediará as competições de oito modalidades esportivas e sequer começou a sair do papel. “O que me tira o sono é Deodoro. Não quero minimizar as cobranças, mas preocupação com as outras sedes esportivas é um certo exagero. Em Deodoro, estamos no prazo, mas não temos um dia a perder, porque não há gordura. Sei que eles estão tensos lá e eu estou tenso aqui, mas reitero meu compromisso de entregar todas as obras no prazo”, disse o prefeito, durante coletiva de imprensa na prefeitura, no Centro.

De acordo com Paes, a licitação para Deodoro será publicada no Diário Oficial no dia 17. O prefeito afirmou, no entanto, que as obras do Parque Olímpico são mais simples do que as que precisam ser feitas na Barra da Tijuca, que receberá competições de quinze modalidades.

“Em Deodoro, o maior estádio que será construído tem capacidade para 3.000 pessoas. Lá, teremos construções menos complexas. O mais complicado é fazer um rio artificial para uma competição de canoagem slalom. Aliás, eu até disse que essa competição poderia acontecer em Foz do Iguaçu, mas não aceitaram. Se quiserem adotar o plano B, podem transferir para lá”, declarou, ironizando as críticas do italiano Francesco Ricci Bitti, membro do COI e chefe da Federação Internacional de Tênis. Na terça-feira, Bitti reclamou da demora na construção das sedes esportivas e afirmou que era preciso começar a procurar uma alternativa para o Rio de Janeiro.

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Entre as medidas anunciadas pelo COI nesta quinta-feira está a criação de um grupo formado por dirigentes do Rio e membros do governo federal e do comitê. Outra medida será a designação de Gilbert Felli, diretor executivo do COI para os Jogos Olímpicos, para viajar de forma regular à cidade para acompanhar os preparativos. Felli tinha uma visita ao Brasil marcada para setembro, mas a viagem foi antecipada para a semana que vem. Bach ainda revelou que o comitê contratará um administrador de projetos para acompanhar diariamente as obras, algo inédito em um evento olímpico. Além disso, três grupos de trabalho serão formados para estudar cada um dos aspectos do evento.

“Por mim, Felli poderia se mudar para o Rio. Gosto muito do trabalho do COI, que é um interventor permanente. Isso não é um problema”, afirmou o prefeito.

Nesta quinta-feira, os 2.600 operários do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que segundo Paes está com a obra dentro do cronograma, não trabalharam. Desde a semana passada, os trabalhadores estão em greve por melhorias salariais e benefícios, como plano de saúde familiar. Questionado sobre o risco de atraso nas obras, Paes disse que esse era um problema.

“Os consórcios foram contratados e pagos. Eles são os empregadores. Se houver algum risco de atraso, farão turno extra ou pagarão horas adicionais aos domingos”, garantiu o prefeito. “Sou permanentemente angustiado com a Olimpíada. Ficarei tenso até a festa de encerramento, mas a greve é um problema dos consórcios.”

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