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Os personagens do 7 a 1, um ano depois do vexame

Não houve um novo vilão como Barbosa, mas a maioria dos 16 protagonistas do desastre do Mineirão perdeu prestígio. E o 'apagão' no futebol nacional continua

Por Da Redação 8 jul 2015, 08h59

A goleada alemã de 7 a 1 sobre o Brasil, em pleno Mineirão, é uma daquelas tragédias que demoram um tempo para ser compreendidas e jamais são assimiladas. Aquele 8 de julho de 2014 foi o dia do maior fiasco do esporte nacional em todos os tempos, mas a impressão, passado um ano, é que tudo não passou de um pesadelo – ou um “apagão”, na versão mais utilizada pelos protagonistas daquela partida em Belo Horizonte -, pois quase nada mudou no futebol brasileiro. Em 1950, o dramaturgo Nelson Rodrigues definiu o Maracanazo, a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo, como “a nossa Hiroshima”, comparando os efeitos da derrota no Rio de Janeiro à devastação causada pela bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em solo japonês, cinco anos antes. O goleiro Moacyr Barbosa foi apontado como o vilão da derrota por 2 a 1 por não ter segurado o chute de Alcides Ghiggia e só foi “absolvido” 64 anos depois, já morto, graças à goleada alemã, que mostrou aos brasileiros a diferença entre uma derrota dolorosa e outra vexatória.

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Não houve, no entanto, um novo Barbosa, já que a culpa pelo fracasso foi mais bem distribuída. Alguns nomes foram mudados na seleção brasileira desde então, mas o cenário se manteve quase inalterado: saiu José Maria Marin (hoje preso, acusado de corrupção) e entrou seu fiel escudeiro, Marco Polo Del Nero, na presidência da CBF; Felipão se foi, Dunga retornou com sua velha filosofia e o time segue longe de encantar o torcedor. A grande maioria dos 14 atletas que entraram em campo no Mineirão também perdeu espaço. Alguns voltaram a ser convocados, mas, diante de mais um fracasso na Copa América, não conseguiram recuperar o prestígio perdido. Até mesmo Neymar, que só esteve em campo em forma de homenagem dos atletas no Mineirão, se vê contestado na seleção nacional um ano depois – apesar de ter se consolidado como um craque de primeira linha no Barcelona.

(da redação)

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